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Prioridades

Num dos primeiros dias de Fevereiro encontrava-me numa fila no corredor do Centro de Saúde, em Margaride. Locomovo-me há muitos anos com a ajuda de bengalas canadianas e tenho uma neuropatia crónica (por negligência médica numas intervenções cirúrgicas) que se consubstância em dores – permanentes – cuja intensidade pode variar em poucos minutos e atingir níveis insuportáveis que me impedem de movimentar.

Por tal motivo encontrava-me encostado à parede, no lugar correspondente da fila. 

A dada altura um senhor pretensamente uniformizado, leva, de modo arbitrário, para a frente uma senhora, e uma pequena criancita num carrinho, presumivelmente com a mãe. 

Presenciando alguma inquietude no senhor – e só por isso – eu com modos de gente digo ao senhor que assim também eu teria prioridade. 

O senhor pretensamente uniformizado diz-me que para tal tinha que exibir o “Atestado Multiusos”.

A prioridade da pequena criancita acompanhada presumivelmente pela mãe é completamente inquestionável. E só sublinho que é inquestionável porque temo que se pense que não o compreendo. Sobre a outra senhora, já não.

A partir daí passo a ser “perseguido”, mas não conformado…

Em qualquer espaço ou serviço público é dada a prioridade a quem tenha crianças ao colo, grávidas, idosos, pessoas com notória dificuldade de locomoção, representados na placa de lei com fundo azul e figuras estilizadas.

Ainda nesse dia vim a saber que o senhor pretensamente uniformizado, vinha sendo acusado, sobretudo nas redes sociais, de arbitrariedades deste jaez. Havia mesmo uma senhora que dizia ter sido operada e com muitas dificuldades daí derivadas, lamentava-se que o senhor a obrigara a ir estacionar a viatura longe.

Afinal o senhor pretensamente uniformizado protagoniza outras arbitrariedades de carácter e índole duvidosas.

Nunca vi o senhor ir ao encontro de alguém a sair do carro e perguntar se precisa de ajuda, menos ainda com o afã com que corre a repreender, dizendo que não podem estacionar junto do edifício do Centro de Saúde. Nem sequer o vi a apanhar uns papéis que um utente deixara cair das mãos, nem, mesmo assim, ajudar a abrir a porta. Abrir a porta é coisa que qualquer outra pessoa o faz, de modo automático. No entanto, em cima os passeios que ladeiam o edifício encontram-se vários automóveis.

Mário Adão Magalhães

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

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