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Presidente do BCE: inflação na Europa deve ser temporária

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou esta segunda-feira que espera que o aumento da inflação na zona euro, que atingiu 3% em agosto, seja temporário e que a taxa anual permaneça abaixo do objetivo de 2% a médio prazo.

“O nosso cenário de base continua a esperar que a inflação se mantenha abaixo do nosso objetivo a médio prazo”, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, num debate com a comissão dos Assuntos Económicos do Parlamento Europeu (PE) numa referência ao novo objetivo do BCE de uma taxa de inflação anual de 2%.

A presidente do BCE explicou que, embora espere que a taxa aumente ainda mais este outono, ainda vê este aumento como “em grande parte temporário” e impulsionado principalmente pela subida dos preços do petróleo desde o ano passado, o fim da redução temporária do IVA na Alemanha e a escassez de materiais e equipamento que exercem pressão sobre os custos.

O BCE espera que o impacto destes fatores se dissipe durante 2022 e acredita que, embora a inflação de base também tenha aumentado no verão, tal deve-se à reabertura da economia com o fim das restrições provocadas pela pandemia, pelo que a instituição espera que a taxa termine 2021 em 2,2% e caia em 2022 para 1,7%.

Lagarde afirmou que “a inflação poderia ser inferior ao esperado se as restrições voltassem, enquanto há fatores que poderiam exercer uma pressão ascendente sobre os preços, por exemplo, se a escassez de materiais persistir mais tempo do que o esperado. E a inflação persistente poderia também levar a exigências salariais superiores às previstas”, acrescentou.

No entanto, o BCE vê “sinais limitados deste risco até agora”, disse Lagarde.

Lagarde salientou que “é evidente que a recuperação económica na zona euro está cada vez mais avançada”, em parte graças ao “sucesso” da vacinação que tem apoiado a reabertura económica, sobretudo do setor dos serviços.

E embora tenha advertido que “as perspetivas de crescimento permanecem incertas e fortemente dependentes da evolução da pandemia”, os riscos para o crescimento são “equilibrados”.

O BCE, afirmou, continua “totalmente empenhado” em manter condições de financiamento favoráveis “que são necessárias para uma recuperação robusta que permita o regresso da inflação ao nível de antes da pandemia”.

Até agora, o banco emissor acredita que as condições de financiamento têm permanecido globalmente favoráveis, razão pela qual decidiu este mês abrandar no quarto trimestre as compras de emergência da dívida criadas para atenuar os efeitos da pandemia.

O BCE espera que o PIB da zona euro, que aumentou mais do que o esperado no segundo trimestre, cresça 5% até ao final de 2021, regressando ao nível prévio à pandemia, e 4,6% no próximo ano.