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Portugueses preparam-se para cultivar alfaces em Marte

A empresa Grow to Green é um dos exemplos do livro ‘Binómio Tecnologia & Sustentabilidade’, lançado esta sexta-feira. Um pequeno passo para a alface, um salto gigantesco para a alimentação. É isto que a empresa Grow to Green, um spin-off do grupo de engenharia e certificação ISQ, promete com o seu projeto de produção de alimentos indoor. Na prática, é possível gastar menos 98% de água na produção de alface, o que permite cultivar o legume diretamente no supermercado, no deserto ou, quem sabe um dia, em Marte.

“Percebemos que a área da alimentação tem um grande impacto a nível mundial e que tínhamos que revolucionar, reinventar o modo como se produzem alimentos”, começa por explicar Pedro Matias, presidente do Grupo ISQ.

“O que nós fizemos no projeto Grow to Green foi provar que é possível produzir num ambiente indoor, dentro de câmaras frigoríficas digamos assim, determinados tipos de alimentos e que essa produção tem um impacto muito diminuto a nível do ambiente”, acrescentou.

O que começou como um projeto de investigação e desenvolvimento dentro do grupo, é agora uma nova empresa que está no mercado e que tem como clientes grandes superfícies comerciais e mercearias.

Além da redução gigante no consumo de água necessária para produzir uma alface, Pedro Matias destaca que os produtos que são produzidos usando a tecnologia da Grow to Green “não têm químicos, não têm pesticidas” e podem ter “três ou quatro colheitas por ano”. Ou seja, além do ambiente, ganha também a saúde do consumidor.

“Se nós tivermos a produzir estes alimentos logo à partida num ambiente imaculado, não vão existir bichinhos, não precisamos de lá pôr o inseticida. Do ponto de vista dos cuidados de saúde, é de alta importância para o ser humano, não está a consumir produtos contaminados”.

A poupança no processo de produção estende-se ainda à área que um agricultor precisa de ter disponível. “Um hectare de produção de qualquer tipo de alimento, que são 10 mil metros quadrados grosso modo, pode ser convertido numa câmara com 20 ou 30 metros quadrados de espaço”, explica Pedro Matias.

“A pegada ecológica de transporte dos alimentos deixa de acontecer, porque se pusermos dentro de um hipermercado várias câmaras, é o próprio consumidor que vai à câmara. A alface escusa de vir de qualquer região do país ou do globo e ter que ser transportado”, acrescentou.

Apesar de ainda não ter um projeto com as principais agências espaciais nesta área, Pedro Matias garante que “se houver qualquer empresa ou agência espacial que queira levar para Marte uma pequena câmara frigorífica da Grow to Green, pode levá-la e pode produzir alfaces, manjericão, tomilho, salsa, coentros. No fundo comer uma salada, como deve ser, a vários quilómetros de altitude”.

“Hoje em dia já é possível, não é ficção científica e já é possível com tecnologia portuguesa, isso é uma coisa que também nos deve encher de orgulho”, adianta.

As ‘alfaces marcianas’ são um de vários projetos que estão a ser desenvolvidos no ISQ e que provam que a tecnologia vai ser fundamental para resolver muitos dos problemas de sustentabilidade que o planeta enfrenta atualmente.