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Portugueses combatem ameaças nos países mais violentos do mundo

A combater piratas em alto mar, a travar a ameaça armada em explorações de petróleo ou a defender embaixadas em zonas de conflito, são vários os portugueses integrados numa indústria legal que movimenta milhões de euros. Recusam o selo de “mercenários”, associados a atos ilícitos ou ao romantismo dos filmes de Hollywood, e apontam o dedo à falta de oportunidades de construir uma carreira em Portugal.

Ricardo, nome fictício, tinha 27 anos quando terminou as funções nas Operações Especiais em Lamego. Esteve sete anos ao serviço das Forças Armadas Portuguesas e participou numa missão no Kosovo, em 2005. Passados quatro anos, com o contrato a terminar, percebeu que podia continuar a carreira no privado. “Fui, a título pessoal, fazer formações em Inglaterra para ir trabalhar para o Iraque e para o Afeganistão”, revela. O curso, todo ele pago do próprio bolso, custou seis mil euros e as oportunidades não apareceram. “Em 2009, era muito complicado para um português conseguir um contrato lá fora. Na altura, estive algum tempo sem trabalho”, recorda.

A primeira oportunidade surgiu em 2010. “Fui contratado por uma empresa norte-americana para uma missão de segurança armada contra a pirataria, na Somália.” Desde então, foram cerca de 60 países, grande parte na costa do continente africano, mas também mais a Oriente, como no Paquistão ou Israel. “Em dez anos, já foram cinco passaportes e nenhum deles por ter expirado.” A trabalhar na indústria desde 2007 está Nelson, de 32 anos, que prefere igualmente manter o anonimato. Também ele com ligações às Forças Armadas Portuguesas, integrou um Regimento de Infantaria entre 2005 e 2007. Já esteve em África, a fazer proteção a empresas de extração de pedras preciosas, e no Médio Oriente, em Bassora, no Iraque, a fazer checkpoint na zona portuária, em 2012. Um trabalho de segurança que exige pessoal altamente armado. “Quando saí do Exército sempre mantive aquela paixão e tive conhecimento da indústria privada. Fiz uma série de formações, fui convidado para fazer uma na África do Sul e fiquei a trabalhar para essa empresa”, assinala.

Atualmente, opera mais de perto com a indústria petrolífera, como consultor de segurança. Apesar das oportunidades, reforça o quão difícil é conseguir uma hipótese nesse mercado. “Estou a chegar de Inglaterra, depois de gastar mais de quatro mil euros numa formação. Mas nada disto nos garante trabalho. A maioria dos interessados pensa que só por tirar uma formação consegue logo trabalho, mas não é bem assim.”

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