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Porto Santo, Maio e Fogo na Rede Mundial de Reservas da Biosfera

Ilhas de Cabo Verde e Portugal são as novas integrantes da Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco. Do arquipélago de Cabo Verde foram selecionadas as ilhas do Fogo e do Maio. Já do arquipélago da Madeira, em Portugal, a escolha foi para a ilha de Porto Santo. A rede internacional conta com 714 reservas de 129 países incluiu um total de 25 novos locais.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, disse que a hora da transformação é agora. Ela realçou que a crise também é momento para criar oportunidades: analisando a relação com a natureza, com os outros e com a Terra.

Para a chefe da Unesco, o mundo não será mais o mesmo e por isso é preciso um novo futuro para a biodiversidade.

Os locais selecionados apresentam características distintas. Em Cabo Verde, a Reserva da Biosfera do Fogo é a única ilha com atividade vulcânica no sul do arquipélago. O ponto mais alto tem uma altitude de 2.829 metros.

Entre as várias espécies nativas estão pássaros e répteis, incluindo a rara lagartixa endémica de López-Jurado (Hemidactylus lopezjurado), a Vaillant’s Mabuya (Chioninia vaillantii xanthotis) e tartarugas marinhas como a verde e Olive Ridley.

O Fogo alberga mais de 37 mil habitantes, a maioria deles vivendo do cultivo de frutas, do café, de vegetais e de vinhedos, famosos pela definição vulcânica.

Ainda em território cabo-verdiano, a Reserva da Biosfera do Maio se destaca pela existência de espécies que ocorrem somente na área. Os exemplos são tartarugas e cetáceos, bem como a abundância de peixes, aves e répteis marinhos.

O local é considerado um dos mais áridos do país, brindado por belas praias, festas, feiras de artesanato e de patrimônio histórico que atraem um número cada vez maior de turistas nos últimos anos.

A maior parte da população de 7 mil habitantes também vive da produção de milho, de feijão, do melão e do sal.

Já a Reserva da Biosfera da Ilha de Porto Santo, em Portugal, combina áreas terrestres e marinhas. Entre as variedades de répteis e mamíferos marinhos estão a foca mais rara do mundo, a foca-monge do Mediterrâneo (Monachus monachus). Outras espécies características são a tartaruga marinha cabeçuda (Caretta caretta).

A biodiversidade marinha ainda não foi totalmente catalogada na área madeirense, que tem o turismo como setor econômico mais importante da ilha. A população chega a quadruplicar durante a alta temporada.

De acordo com a Unesco, as reservas da biosfera buscam “conciliar a atividade humana com a conservação e o uso sustentável da biodiversidade.”

Estes territórios são um elemento central da pesquisa e do trabalho de conscientização da agência para promover práticas inovadoras de desenvolvimento sustentável.

A agência considera ainda a importância desses locais para combater a perda de biodiversidade, apoiando a compreensão das comunidades e dos Estados-membros, valorizando e salvaguardando o meio ambiente.