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Por que não passamos da cepa-torta?

Há duas importantes razões, porque não conseguimos abandonar a “cauda” da Europa:

A primeira deve-se ao facto de nunca se ter estabelecido plano de desenvolvimento. Cada partido, que conquista o poder, é rápido a alterar o que seu antecessor estabeleceu: seja no campo da: saúde, ensino, justiça, e até na economia.

Seria assim tão difícil, traçar linhas mestras de governação, aceites pelos partidos, com assento na Assembleia da Republica?

A segunda – talvez tão importante como a primeira – é diferenciar, de uma vez para sempre, os cargos técnicos, dos políticos; para que, mudando o governo, não mudem as pessoas. Como se a competência dependesse da cor partidária!

Conheci um homem, que trabalhou numa empresa pública. Era pontual, dedicado, obediente e zeloso.

Ao verificar, que não havia, na empresa, área comercial, que contactasse os clientes, sugeriu o serviço; e com apoio superior, iniciou a tarefa.

Ia a pé ou de autocarro, a casa de grandes e pequenos clientes; muitas vezes fora da hora de trabalho. Chegou a ser louvado, por essa iniciativa, na imprensa da sua cidade.

Um dia, a Administração, resolveu criar, oficialmente, o serviço. Pensou que seria incorporado ou pelo menos contactado. Nada disso, aconteceu!… Era apartidário…

Para executar melhor as funções, chegou a estagiar no estrangeiro, com o apoio do C. A.

Mais tarde, verificando que havia fugas de receitas, enviou exposição aos superiores.

Após várias alertas infrutíferas, foi chamado pelo chefe imediato, que acumulou, às suas habituais funções, a de fiscalizador.

Nada lucrou, a não ser mais trabalho. Os colegas, diziam, de troça, ao vê-lo atarefado e zeloso: que ainda iria receber uma medalha… de cortiça!

Todavia, a empresa, embolsou, com esse serviço, largos milhares de contos! E nunca lhe disse: obrigado.

Entretanto foi envelhecendo… Certa tarde de Inverno, surpreendeu-se: o C.A. louvara-lhe a dedicação, premiando.

Era pelo Natal. Sentiu-se feliz. Finalmente, a empresa, reconhecera o trabalho, de anos de dedicação, e pensou para consigo: “sempre valeu os trinta e tal anos de zelo!”

Mas… decorrido três meses, o mesmo C.A., que o louvara, afastava-o de todas as funções!

Admirado, espantado, indagou as razões; responderam-lhe: que não as havia.

Houve necessidade de fazer reestruturação do serviço; e como o lugar, que ocupava, ia usufruir maior salário, passou a ser cobiçado… pelas hostes partidárias.

Em suma: terminou a carreira profissional, com reforma inferior aos colegas.

Nada vale: competência, dedicação, pontualidade, espírito de sacrifício e zelo. O que importa: é agradar ao chefe imediato, e receber apoio do partido!…

O resto: são ilusões; são cantigas para enganar ingénuos!

Se ao designado falta-lhe competência – mas é da nossa ideologia, – busca-se-lhe adjunto, para executar as tarefas…É assim que se costuma fazer, na nossa terra.

E enquanto assim se pensar, seremos eternamente, os coitadinhos da Europa; e a juventude, apartidária, não terá outro remédio, senão ir em demanda de outras pátrias, de outros povos, onde haja mais justiça; e em que cada um valha pelo valor e dedicação, e não, pelas ideias políticas, que diz perfilhar.

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