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Polónia confirma que míssil era de fabrico russo

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia confirmou esta terça-feira que um “projétil de fabrico russo” atingiu o seu território, inserido na NATO, junto à fronteira com a Ucrânia, causando a morte a duas pessoas.

“Às 15h40 (14h40 em Lisboa), na vila de Przewodów (…), um projétil de fabrico russo caiu, matando dois cidadãos da República da Polónia”, salienta um comunicado de Lukasz Jasina, o porta-voz do ministério.

A mesma nota acrescenta que o embaixador russo na Polónia foi convocado para prestar “explicações detalhadas”.

“Em ligação com este evento, o ministro [dos Negócios Estrangeiros] Zbigniew Rau convocou o embaixador russo ao ministério e exigiu explicações detalhadas imediatas”, apontou o porta-voz da diplomacia polaca.

Na nota de imprensa o governo polaco salienta ainda que “em 15 de novembro (…) um ataque em massa contra todo o território da Ucrânia e a sua infraestrutura principal pelas Forças Armadas da Federação Russa foi observado durante muitas horas”.

No final da tarde de terça-feira, um alto funcionário dos serviços de informações dos Estados Unidos disse que mísseis russos caíram na Polónia.

Após estes relatos, o Governo polaco aumentou “o nível de alerta de algumas unidades militares” após uma reunião de emergência da Comissão de Segurança Nacional da Polónia.

O responsável pelo Conselho de Segurança Nacional, Jacek Siewiera, adiantou, por sua vez, que o primeiro-ministro, Mateusz Morawiecki, manteve uma conversa sobre esta questão com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, para analisar “as condições de utilização do artigo 4.º” da Aliança Atlântica.

Este artigo da NATO refere que os membros “se consultarão quando, na opinião de qualquer um destes, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada”.

Em reação às acusações, o Ministério da Defesa da Rússia disse esta terça-feira que os relatos de queda de mísseis russos na Polónia são “uma provocação deliberada para escalar a situação”, negando a responsabilidade pelo ataque.

Num comunicado, o Ministério da Defesa da Federação Russa acrescentou que os destroços nas fotografias divulgadas por vários meios de comunicação ocidentais “nada têm a ver com os meios de destruição russos”.

Por outro lado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de disparar os mísseis contra a Polónia, defendendo que este é um “ataque à segurança coletiva” e uma “escalada muito significativa” no conflito.

De acordo com órgãos de comunicação polacos, duas pessoas morreram esta terça-feira à tarde, depois de um projétil ter atingido uma zona agrícola em Przewodów, uma vila polaca perto da fronteira com a Ucrânia.

De acordo com a Força Aérea ucraniana, a Rússia disparou esta terça-feira sobre as infraestruturas de produção de energia elétrica de várias regiões ucranianas “cerca de” 100 mísseis, causando cortes de eletricidade, além de ter atingido igualmente zonas residenciais e feito pelo menos um morto na capital ucraniana, Kiev.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.557 civis mortos e 10.074 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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