
O Parque da Cidade estende-se por cerca de 80 hectares de árvores, relvados e lagos, mesmo ao ladinho de minha casa. É assim o meu quintal, o meu apartamento não tem sequer uma varanda. Sou assídua desde há meia dúzia de anos e desde há quatro acompanhada pela Ginja, uma meio podengo resgatada do canil de Braga e bem educada, diz quem a conhece.
Esta manhã fui apanhada pela Polícia em flagrante delito (coima até €75) com a minha cadela sem trela e sem possibilidade de apresentar quaisquer documentos – pudera, saio de casa sem cheta e sem documentos, afinal vou em passo acelerado ou a correr. Levava, sim, a trela no bolso, que imediatamente apresentei e coloquei na Ginja, num gesto de submissão vergonhoso.
O Polícia, num misto de ridículo e poder, pediu os meus documentos (!), os documentos do cão (!) e como não apresentei nenhuns violou nojentamente a minha paciência e privacidade perguntando-me coisas tão relevantes como, entre outros, a minha profissão e a minha filiação.
Resultado – coima de €25 e obrigatoriedade de apresentar os documentos sem falta até amanhã no posto do Parque da Cidade. De nada valeu argumentar que a rafeira não representa qualquer perigo para terceiros e que não houve qualquer prejuízo pelo facto de vir sem trela.
Virei as costas a fumegar e não pude deixar de murmurar “Pides de m…!”
