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Pernóstico

Faltam-me os lírios
Cambraias,
Sedas, púrpuras
E purpurinas.

Faltam-me as tradicionais quimeras,
Elemento persistente na poesia.

Faltam as folhas e ramos de árvores
E rasgos para todas as palavras
De um poema pernóstico.

Tenho o frio
A chuva imensos
Que me impedem
A esconseza das palavras,
E o jeito que não tenho
Para fazer poemetos.

Faltam-me as letras
A garra
A atenção
O conteúdo
E aquilo que realmente
É poesia para escrever poesia.

Falta-me a seiva. O sangue quente
Das manhãs, graduais, de tarde
E da noite de Verão.

Falta-me a poesia
Inda que pernóstica.

Só eu, eu só, estou aqui,
Elemento frio e com frio.
E sou eu.

Mário Adão Magalhães 014/11/14