Peregrinos da diáspora marcam presença a caminho de Fátima e no Senhor Santo Cristo
À medida que se aproxima a primeira peregrinação internacional aniversária do ano ao Santuário de Fátima, as estradas do país voltam a encher‑se de grupos onde se misturam portugueses residentes e muitos emigrantes que regressam propositadamente para “fazer o caminho”.
“É diferente de ir uma só pessoa, é diferente de ir um pequeno grupo, somos uma família”, sublinha o padre Cláudio Silva, pároco de Alpendurada, em declarações à Agência Ecclesia. Muitos participantes vivem fora de Portugal e marcam as férias para poder integrar a caminhada. Para estes, o percurso até Fátima é também uma forma de reconectar com a língua, os lugares e as tradições da terra.
Este é o quarto ano em que o sacerdote faz, a pé, o percurso até à Cova da Iria com o grupo Travanca-Amarante, que integra ainda cerca de 70 voluntários responsáveis pela logística, alimentação, transporte de bagagens e apoio de saúde. “Mesmo não estando juntos, ao longo do ano, todos nos voltamos a ver, a rever e a sentir a experiência que foi feita na peregrinação”, nota o padre, sublinhando o ambiente de comunidade alargada que inclui quem vive em Portugal e quem regressa só nesta altura.
No plano espiritual, há momentos diários de confissão, Eucaristia e Adoração. Ao longo dos quilómetros, o sacerdote vai escutando histórias marcadas pela distância e pela saudade: “Há revoltas, há sentimentos de tristeza, há gratidão e tudo isso preenche também o coração de um padre”, afirma, lembrando que muitos emigrantes aproveitam o caminho para falar de perdas, reencontros e escolhas feitas fora do país.
O BOM DIA tem vindo também a acompanhar um grupo do norte de Portugal numa organização dos Amigos dos peregrinos, estrutura do rancho folclórico de Penafiel.
Nos Açores, a ligação à diáspora está ainda mais visível nas festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, presididas este ano pelo cardeal D. António Marto. Milhares de açorianos emigrados em vários continentes viajam todos os anos para São Miguel para participar nas procissões e celebrações, enquanto muitos outros seguem tudo à distância, através dos meios de comunicação.
O reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo, padre Manuel Carlos Alves, recorda, citado pelo portal Igreja Açores, que estas “grandiosas festas” são um momento de reencontro entre a ilha e a sua diáspora: famílias que se revêem, promessas antigas cumpridas e uma fé que fez caminho nas comunidades emigrantes. Do programa constou uma Missa em inglês, este domingo, na igreja de São José, “dirigida a turistas e emigrantes”, precisamente para acolher quem regressa de fora.
Este ano, o reitor insiste também na oração pela paz, num tempo marcado por guerras e polarização: “Vivemos num contexto em que, tantas vezes, a ordem social parece desligar-se da ordem moral, e onde até os cristãos se deixam envolver por discursos radicais, polarizadores e promotores de guerra. Por isso, a nossa resposta deve nascer do Evangelho: uma fé que constrói pontes, que promove o diálogo e que insiste na dignidade de cada pessoa”, afirmou.