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Pequenos venezuelanos aprendem português

Mais de meio milhar de crianças de 4 a 12 anos de idade estão a aprender português na escola Pedro António Medina de Clarines, localidade situada no Estado venezuelano de Anzoátegui, 250 quilómetros a leste de Caracas.

Com 27 anos a dar aulas e quase a reformar-se, Maria Manuela Geriante, foi convidada em novembro do ano passado para dar as aulas de português.

Desde então, diz-se “feliz e agradecida pela oportunidade” de dar aulas no seu idioma materno.

“Estou a dar português a crianças de vários níveis, desde a educação inicial até ao 6.º grau, com idades compreendidas entre 4 e 12 anos”, disse a professora à Agência Lusa.

Maria Manuela Geriante frisou ainda estar “muito contente” porque as crianças “gostam muito de aprender português, estão muito motivadas”.

“E, estamos muito agradecidos, por terem escolhido a nossa escola para este projeto”, frisou a docente, salientando que tem “510 crianças” a aprender a Língua de Camões, entre eles “apenas um filho de portugueses”.

“Os outros nasceram na Venezuela, vivem na Venezuela, nunca saíram daqui (de Clarines) e estão muito contentes por aprender a falar português”, sublinhou.

Ana Maria Geriante precisou que as aulas começaram a 19 de novembro de 2018, que o projeto avança, lamentando, no entanto, que desde então houveram férias, para eleições, pelo natal, pelo dia do professor, pelo carnaval e que alunos que têm problemas económicos.

“Aqui, ganha-se muito pouco. Eu estou a receber o salário mínimo (18 mil bolívares soberanos, equivalente a 4,80 euros ao câmbio oficial. Mas este projeto dá-me orgulho e satisfação. Eu já levo 27 anos dando aulas, em breve vou-me reformar mas por este projeto continuo aqui”, frisou.

Sobre o método de ensino, explicou que para poder ensinar português “primeiro tem que dar a gramática em castelhano” e vai falando um pouco da história, uma etapa que diz ser de “motivação dos meninos”.

“Eu trabalho com grupos, quando um menino avança eu passo para outro, se vai mais lento, passo para o anterior, porque todos são diferentes e trabalho muito com as necessidades individuais de cada um deles”, disse.

Maria Manuela Geriante insiste que o projeto de ensino da língua portuguesa, deve expandir-se “a outras escolas de Clarines e de toda da Venezuela” e explica que “os idiomas ajudam muito as pessoas” e inclusive quem tem facilidades para aprender outras línguas também tem para matemáticas.

Finalmente, explicou estar muito agradecida ao Instituto Camões, à Fundação Luso-venezuelana de Clarines, aos cônsules portugueses de Caracas e Anzoátegui, por materializarem este projeto.

“Eu tenho três amores aqui, Portugal, de onde sou, a Venezuela onde vivo desde 1979 e esta escola que é a minha outra casa e a minha família também”, concluiu.