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Ouroboros

(versão portuguesa seguida da tradução francesa)

No Luxemburgo, não há cá piedade para os colaterais do coronavírus:
– as facturas continuam a chegar inevitáveis e sem atrasos nem restrições de movimento, os créditos impassíveis querem lá saber do confinamento, as rendas inevitáveis e irrevogáveis (quer tenhamos ou não máscara), os seguros fatais e sem prazos de prorrogação …

Adoro o pós-capitalismo implacável, este não sofre do vírus!

E, no entanto, é contra ele que seria necessário encontrar uma vacina, pois é ele que se alimenta voraz e insaciável dos humanos, da natureza, do planeta! Omnívoro e antropófago, o capitalismo. O que devorará quando já não restar mais nada?

A besta humana? Mais besta do que humana, afinal! Oh, não, não insultemos as bestas, que essas só comem quando têm fome!

JLC02042020 (in “Diário do Confinamento”)

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Ouroboros

Au Luxembourg, pas de pitié pour les collatéraux du coronavirus:
– les factures continuent à arriver inéluctables sans retards ni restrictions de mouvement, les crédits impassibles s’en foutent du confinement, les loyers inajournables et irrévocables (que l’on soit avec ou sans masques), les assurances échoient fatales et sans délais de prorogation …

J’adore le post-capitalisme impitoyable, il ne souffre pas du virus, lui!

Et pourtant c’est bien contre lui qu’il faudrait trouver un vaccin, puisque c’est lui qui s’alimente vorace et insatiable des humains, de la nature, de la planète! Omnivore et anthropophage, le capitalisme. Il dévorera quoi quand il n’y aura plus rien?

La bête humaine? Plus bête qu’humaine, quand-même! Oh, non, n’insultons pas les bêtes, qui elles ne mangent que quand elles ont faim!

JLC02042020 (in « Journal du confinement »)

 

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