
Para quem esperava que Donald Trump teria neste debate com Hillary Clinton, a sua lura, tal não aconteceu.
A nefasta conferência de imprensa que Trump deu duas horas antes do debate, com mulheres que se designavam vitimas sexuais de Bill Clinton e que se previa dominar ou denegrir o debate, não teve relevância, e marchou por outros destinos como a brejeirice, sem debate político.
Ante uma Hillary que não esteve ao seu próprio nível, mas que mesmo assim ganhou o debate, não consegue ainda descolar em percentagem de Trump.
O debate foi cinzento e pesado. Nem por ser protagonizado por uma mulher foi mais leve e colorido.
Um debate em que nem o cumprimento manual teve lugar, como teve no primeiro, previa-se um debate quente. Mas não.
A arena foi palco dum espectáculo político muito pouco assertivo e não foi mais que uma montra de exposições ridículas tendo Trump a deambular perdido na arena, sobretudo quando não falava e mostrava o seu aspecto animalesco, suportando-se na cadeira que cada um teve de suporte, sem se sentarem.
Este tipo de debates parecem mesmo, mesmo servir só o espectáculo.
Não deixa de ser triste que continue a ver-se nos polícias do mundo – os EUA, ideias e actores tão desprestigiantes, que podem vir a influir directamente na nossa vida.
Nem em Portugal há políticos tão mal preparados e que continuem a ter corridas políticas se mais não houver do que vários e variados interesses. É um perigo o que um homem como Trump – supondo por absurdo que ganhasse, poderia trazer ao mundo.
Lembro-me de ouvir que para o fim do mundo tudo se havia de ver. Não venho aqui trazer alguma profecia, mas notar que assim o mundo por fim muito tem para ver.
Continuo a pensar: os deuses devem estar loucos.
Mário Adão Magalhães 016/10/10 04, 20h
