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Os desafios do CEO em 2019

O mundo está a mudar a passos gigantes e essa velocidade transformadora é o combustível que inflama a incerteza, a volatilidade e a ambiguidade que enfrentam os diferentes negócios. Este é o chamado mundo VUCA, um cenário que obriga os CEO’s a comandar os seus barcos de noite, com a ajuda de tecnologias de ponta e dos colaboradores e consultores que os acompanham.

A transição para o mundo VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) está a dar-se a uma velocidade incrível. Segundo um estudo, em 1958 as empresas que integravam o índice S&P 500 viviam em média 61 anos. Em 1980, esse valor tinha baixado para os 25 anos e, em 2011, já estava nos 18 anos. A disrupção tecnológica é um dos principais motivos deste cenário tão duro, porque metade das instituições que integravam a Fortune 500 foram compradas ou desapareceram graças à digitalização desde o ano 2000.

Mas a mudança tecnológica não é o único fator que quebrou a estabilidade e a previsibilidade de períodos anteriores. A globalização comercial e financeira também está a alterar por completo as regras do jogo.
Adicionalmente, a perca da hegemonia dos EUA que garantia o ordenamento internacional e a emergência da China como firme candidata a 1ª potencia mundial, em paralelo com o processo de crescente desintegração da União Europeia (o brexit e a irrupção do populismo eurocéptico em França, Alemanha e Itália), são também fatores que no seu conjunto abriram profundas fissuras na confiança dos mercados financeiros.

A gestão das empresas tem pois que reagir a um cenário inflamável em diversas frentes.

Vimos de uma concepção fabril das organizações, em que a missão principal da direção de topo era a organização das tarefas e o seu controlo – processos que se orientavam fundamentalmente para o interior das empresas.

Os CEO’s de hoje devem orientar-se mais para o exterior, porque cada vez é mais importante terem uma visão contextual e sistémica. Os Executivos de Topo, que estão todo o dia nos escritórios, falando consigo mesmos ou com as suas equipas, assim como os que não dominam a comunicação, são relíquias do passado.

Saber escutar e ser capaz de antecipar riscos não derivados directamente dos seus negócios, mas do meio ambiente e das mudanças nas expectativas da sociedade, são valências cada vez mais críticas para os Executivos de sucesso dos dias de hoje. Neste sentido, ter razão, no sentido estrito racional, legal ou financeiro, deixa de ser suficiente para que seja concedida a licença social para operar. Há que contar com a reacção dos grupos de interesse.

Passámos de um modelo de emissão de informação com, no máximo, algum feedback no caminho, para um modelo de participação, onde a credibilidade se ganha com o bem fazer e não se dá por assumida por ter uma certa posição institucional. Por conseguinte, o desafio de confiança é muito maior e exige que os líderes empresariais saibam comunicar de maneira empática, em permanência e sem iludir a responsabilidade que se lhes exige.

Faz falta uma maior agilidade na hora de tomar decisões, já que os tempos de reacção se encurtaram significativamente. A papelada, o amor pelos processos que só servem para decidir que é preciso decidir algo e os líderes omnipresentes que querem gerir tudo sem delegar nada têm os dias contados. Outro dos grandes desafios é a capacidade de reacção. Para poder acompanhar estas mudanças é fundamental estar sempre a pensar qual é o próximo desafio, ou a próxima disrupção.

Jorge M. Fonseca, Partner
GEORGE Career Change Consultants
www.george.pt

(Fonte: resumo do suplemento elaborado pela LLYC para revista FORBES (Espanha) de Junho 2019)