
Quando somos menos velhos, somos verdes e fazemos cada coisinha do género de corar…
Acontece mais quando tomamos o adquirido provincianismo e hoje o mito. O mito urbano – como eu gosto de escrever mito urbano! – de sermos do Norte com o proveito de quem troca os bês pelos vês como defendia Almeida Garrett: “Nós, os do Porto podemos trocar os bês pelos vês, mas nunca a liberdade pela tirania”.
Claro que o Norte é o Porto e o Porto é o Norte, mas todos tomamos isso adquirido, logo não preciso ser muito exacto.
Almeida Garrett, com dois tês como também acentuava Garrett.
Hoje com a mediatização e inevitavelmente a mobilidade, não há tantas pronúncias acentuadas. No caso a pronúncia do Norte, estes desideratos quase não acontecem, entre muitas cheias de graça que nos marcam fortemente.
Tenho várias: Um dia na capital do país, porque a capitEl é Felgueiras, eu perguntava pelo autocarro para Santos-o-Velho. Com mêdo de mostrar o meu provincianismo, não por não o assumir, mas para que não troçassem de mim, perturbadíssimo acentuo: autocárro para Sántóvvélho. Se não foi assim, foi coisa muito parecida.
A foice de talhe d`aldeia, outra vez foi na escalabitana do dramaturgo António Martinho do Rosário, mais conhecido como Bernardo Santareno, foi assim: Procurava uma colega de nome tal… Umbelino. Imensamente atrapalhado pergunto pela tal… Únvvelino.
Por sinal dava-se a faculdade de me dizeram muito que eu não tinha sotaque que me denunciasse a origem. Hoje… hoje não, carago…
Estas coisas – estes textos, são frutos de confinamento.
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico)
