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O que diz a música acerca da pandemia

No ano passado fui visitar Stonehenge com os meus amigos, Zoltán da Hungria e Lubus da República Checa.

Enquanto que eles se deliciavam a tirar fotografias dos mais variados ângulos, eu dei por mim a olhar o monumento das pedras, ali colocado de maneira estratégica e de certa maneira cientifica, há mais de cinco mil anos, e pensei que, para chegarmos ao que temos nos dias de hoje, a nossa espécie tem percorrido um longo caminho neste planeta que nos serve de casa.

Foi, é, e sempre será, com o trabalho e o esforço coletivo que a humanidade se desenvolve e sobrevive apesar das muitas adversidades que esta causa a si mesma, e as adversidades naturais das quais a maior parte das vezes para elas somos impotentes.

Das muitas centenas de pessoas que trouxeram, por exemplo, as pedras desde o País de Gales para Salisbury, condado de Wiltshire, onde se situa o monumento, com certeza que muitas dessas pessoas ficaram pelo caminho, ou porque morreram por doença, ou porque morreram de acidente, ou até mesmo por excesso de força e cansaço. Mas o monumento lá está, há mais de cinco mil anos a resistir a intempéries e outras forças da natureza, e o feito deve-se à humanidade.

Sendo assim, o covid-19, apesar dos imensos estragos que já provocou, a todos os níveis, também será vencido pela humanidade, mas tal como no transporte das pedras de Stonehenge, muitos ficarão pelo caminho, porque os feitos da humanidade fazem-se com o contributo de cada individuo, mas contam-se apenas no coletivo.

Sabemos que vamos ficar bem… os que passarem para o outro lado de onde se encontrará, sabe-se lá quando, uma vacina e tratamentos eficazes para combater a maldita doença.

Porque o problema está ainda longe de ser resolvido há que nunca perder a esperança, ter sempre os cuidados, alguns deles que deveríamos ter desde sempre, com ou sem covid, e acreditar que vamos vencer.

Lembrem-se por exemplo, dos grandes sucessos musicais dos anos 70, 80 e 90. Quando Bob Marley dizia, “Não se preocupe com nada, eu não me vou preocupar, porque todas as pequenas coisas vão ficar bem.

Não se preocupar com nada não significa ser irresponsável. Há sempre os cuidados e recomendações a ter em conta, principalmente os que são aconselhados pelas autoridades sanitárias. Por isso, ouçam o que diziam os Police, “Não fique tão perto de mim,” e isso, essas recomendações e também um pouquinho de sorte, nas palavras de Gloria Gaynor serão a chave para que possamos sobreviver. “No começo eu estava com medo, estava petrificado…” e, nas palavras dos Hot Chocolate, “Ontem eu era uma das pessoas solitárias”, mas também segundo eles, às vezes é preciso acreditar em milagres.

Vivemos todos um tempo muito difícil, um tempo em que, nas palavras dos Bee Gees é preciso ficar vivo. “Sente a cidade rompendo e todos tremendo, e continuamos vivos, permanecendo vivos.”
Só assim, quando tudo isto passar, poderemos dizer o que disse Elton John ao mundo, “Continuo de pé.” Poderemos afirmar, “Não sabes que ainda estou melhor do que nunca? Como um verdadeiro sobrevivente, sentindo-me como uma criança, e eu ainda estou de pé depois de todo este tempo, pegando os pedaços da minha vida sem ti, (covid do caralh…) na minha mente”.

Em tempos tão improcedentes só nos resta acreditar, ter fé acima de tudo, e entre os que não conseguem passar a cerca, e os que de uma ou outra maneira, com mais ou menos dificuldades a saltam, vamos buscar as palavras de Vera Lynn que nos dizem, “Encontrar-nos-emos novamente, não sabemos onde, não sabemos quando, mas eu sei que nos encontraremos novamente num dia solarengo. Continua a sorrir como sempre fazes, até que o céu azul leve as nuvens escuras para longe”.

Sabemos que vai ficar tudo bem. E tal como nas pedras de Stonehenge vamos perder alguns dos que não vão conseguir passar a cerca, e é bom que todos nos lembremos que nesses alguns, até que possamos estar do outro lado dessa cerca, pode ser qualquer um de nós.

De qualquer maneira, quando tudo passar, quando a nossa liberdade voltar, no seu todo, os que estiverem do outro lado da cerca possam cantar a uma só voz a música dos Pink Floyd, “Como eu gostaria que estivesses aqui”.

Nota do autor: todas as frases que aparecem “entre” estas comas são traduzidas das letras das músicas dos respetivos artistas mencionados no texto. Deixo-lhes a lista das músicas que serviram de inspiração para este texto, no caso de as quererem recordar no Youtube, Spotify ou, quem sabe…no fundo do vosso baú.

Bob Marley – Every Little Things / Police – Don’t Stand so Close to Me / Elton John – I’m Still Standing / Gloria Gaynor – I Will Survive / Bee Gees – Stayin Alive / Hot Chocolate – I Believe in Miracles / Vera Lynn – We’ll Meet Again / Pink Floyd – Wish You Were Here.

António Magalhães

 

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.