
Estou na Póvoa de Varzim, cidade cosmopolita, de magnificas praias, bordadas pelo manso Atlântico.
Este ano, nem a “ famosa” nortada, veio visitar as iodadas areias, das célebres praias, frequentadas por turistas de várias nacionalidades.
Como na vila de A-Ver-o-Mar, nesse quente mês de Agosto, havia festa, em honra de Nossa Senhora das Neves, com rijo arraial, resolvi calcorrear, a pé, os poucos quilómetros, que separam o centro da Póvoa e a antiga povoação de pescadores, imortalizada por Luísa Dacosta. Hoje quase descaracterizada, devido à urbanização, que primou, em regra, pelo mau gosto.
Chegado à moderna Avenida de Nossa Senhora das Neves, e para repousar da caminhada, pelo novíssimo passadiço – feliz iniciativa, que veio enriquecer, dando novo aspecto à bonita região, – acomodei-me em airosa cafetaria, a refrescar-me, saboreando suco bem geladinho.
Mal havia chegado, entra cigana romena, de saia colorida, roçando os pés, a solicitar esmola.
Não é caso inédito, desde que escancararam a fronteira, essa “praga” – e outras ainda muito piores, – enxameiam o nosso país.
Mas, como ia dizendo, a lastimosa mulher, em português macarrónico, pedia para comer.
Senhora, que bebia seu cafézinho, por piedade, ou para se livrar da importuna, disse-lhe que lhe pagava: leite chocolatado e pão com manteiga.
Não gostou a “romena” da oferta, e contrapôs: que queria suco e bolo. Irritou-se a senhora, apoiada pela empregada da casa. Houve altercação a cigana, após beber sofregamente o leite, saiu amuada.
Sou, várias vezes, abordado por pedintes, alguns estrangeiros, em restaurantes. Parece-me que se tornou hábito.
Outrora, no tempo da minha juventude, só se pedia à porta das igrejas – era proibido estender a mão, por lei, fora do recinto sagrado. Agora pede-se à porta dos hotéis, restaurantes, bares… até na praia. Curioso é, que quem esmola, muitas vezes, fala língua estranha, e duvido, até, em certos casos, que precise.
A semana passada, rapazinho, bem entrajado, com roupas de marca, estendeu a mão, quando perpassei por ele. Dizia o petiz:
-”Dá-me um euro, para o lanche!”
Sei que é obrigação, já não digo como cristão, mas humanamente, auxiliar os mais necessitados, mas parece-me que anda muita gente a governar-se, do mesmo jeito, do Mendigo de “Deus lhe Pague…” de Coracy Camargo.
