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O português que pôs a Opel a dar lucro

O grupo PSA (Peugeot, Citroën e DS) conseguiu levar a Opel, que comprou há pouco mais de um ano, voltar a dar lucro, o que não sucedia desde 1999, quando a General Motors (GM) assumiu o controlo do fabricante automóvel alemão. O sucesso nesta inversão tem um rosto: Carlos Tavares, CEO do grupo automóvel francês.

A Opel/Vauxhall está de regresso à trajetória certa um ano depois de apresentar o plano estratégico ‘PACE!’. «Estamos a ser bem sucedidos. A Opel vai ser lucrativa, elétrica e global. Isto é algo em que cada empregado da Opel pode ter orgulho. Conseguimos reorganizar-nos durante os últimos doze meses e mudar a nossa forma de pensar. Apresentámos lucros de 502 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2018 e continuamos a trabalhar arduamente no nosso sucesso», sublinha o CEO da Opel, Michael Lohscheller.

Uma alavanca importante do êxito económico sustentado é a competitividade melhorada em todas as áreas de atividade da empresa. A Opel conseguiu reduzir custos fixos em 28 por cento na primeira metade do ano. Com o objetivo de melhorar a competitividade, foram assinados acordos alargados com os parceiros sociais em todas as fábricas. Isto permitiu, nomeadamente, uma melhoria significativa na relação custos laborais/receitas. A empresa procedeu igualmente a uma simplificação da estrutura de gestão de topo, reduzindo o número de posições em um quarto no decurso do último ano. A Opel permanece fiel ao objetivo de evitar encerramento de fábricas. Estão a ser realizados investimentos nas unidades industriais. A muitas destas já foram alocados novos modelos.

A Opel também beneficia progressivamente da integração no Groupe PSA. Modelos baseados nas arquiteturas ‘Multi Energy Platforms’ são cerca de 50 por cento mais eficientes do ponto de vista dos custos de desenvolvimento, ao mesmo tempo que se registam melhorias em qualidade. Estão também a ser alcançadas sinergias alargadas em múltiplas áreas, como a criação de estruturas integradas de vendas em muitos países europeus, bem como de funções de nível global.

Neste período de um ano, o Centro de Engenharia de Rüsselsheim reforçou a sua posição no núcleo da rede de Pesquisa e Desenvolvimento do Groupe PSA. Para além de 15 centros de competência com responsabilidade a nível mundial para todo o grupo (incluindo bancos, pilha de combustível a hidrogénio e sistemas avançados de apoio à condução), cabe também aos engenheiros de Rüsselsheim o desenvolvimento de veículos comerciais ligeiros e de uma nova família de motores de quatro cilindros a gasolina. Perante a esperada redução de atividade resultante de menos projetos para terceiros, a Opel também anunciou planos para realizar uma parceria estratégica com a Segula Tecnhologies no sentido de preservar postos de trabalho qualificados em Rüsselsheim e em Dudenhofen. Neste processo transferem-se cerca de 2000 empregados da Opel para o aquela empresa fornecedora de serviços de engenharia. O acordo prévio de garantia de postos de trabalho até julho de 2023 permanece válido.

Meta de CO2 será atingida graças a nível acrescido de eletrificação

O acesso às sofisticadas plataformas e às tecnologias de motorização do Groupe PSA está no cerne do programa alargado de eletrificação da gama de produtos Opel. Já em 2020, a marca terá quatro modelos com motorização eletrificada. Um deles será a versão a bateria (motorização 100% elétrica) da nova geração Corsa, a par do Grandland X PHEV – o primeiro híbrido ‘plug-in’ da Opel.

A Opel vai apresentar um total de oito modelos novos nos próximos dois anos. Em 2024, a marca já terá uma versão elétrica em cada modelo. «Esta intensa vaga de produto dará um contributo decisivo para cumprirmos os limites de CO2 fixados pela União Europeia», explica Michael Lohscheller. As infraestruturas de recarregamento são cruciais para o desenvolvimento da eletrificação. Dessa forma, a Opel aderiu recentemente a um projeto especial de criação de uma rede de postos de carregamento que conta com vários parceiros, entre os quais a cidade de Rüsselsheim.

Outro pilar do plano estratégico ‘PACE!’ é o reforço da marca e o foco em produtos, canais de vendas e mercados rentáveis. Com o protótipo GT X Experimental a Opel proporcionou recentemente um olhar sobre o que prepara para o futuro no que toca a imagem e filosofia de ‘design’, afirmando ao mesmo tempo que reforçará os seus valores de marca alemã, acessível e emocionante. «A Opel permanecerá alemã e a Vauxhall permanecerá britânica. Continuaremos a diferenciar-nos claramente das nossas marcas-irmãs francesas», acrescentou Michael Lohscheller. Os primeiros resultados concretos de reforço da marca já são visíveis. Para além da melhor seleção de canais de vendas, foi especialmente uma nova estratégia de preços que alavancou os bons resultados financeiros nos primeiros seis meses de 2018. E a fidelização de clientes melhorou substancialmente por comparação com 2016.

Aposta em veículos comerciais ligeiros para garantir crescimento de quota de mercado

A Opel está a efetuar uma aposta sem precedentes no rentável segmento de veículos comerciais ligeiros. No médio prazo, o fabricante pretende elevar a quota para o mesmo patamar em que estiver no mercado de veículos de passageiros. Isto tornar-se-á realidade graças a melhoramentos nos contratos com os concessionários e a uma gama de produtos completamente renovada. O novo Opel Combo, que está na fase de lançamento no mercado, foi eleito Furgão Internacional do Ano. A Opel já recebeu 25.000 encomendas deste modelo desde que as encomendas abriram na Europa, em setembro. Isto significa que, neste curto período, as encomendas já superam o total de vendas da anterior geração em todo o ano de 2017. Além do Combo, registe-se que a Opel lançará uma nova geração Vívaro em 2019.

A aposta em mercados de exportação, fora da Europa, está também a ganhar expressão. A assinatura de contratos com empresas importadoras de relevo permite à Opel crescer em muitos mercados como Marrocos, Tunísia ou África do Sul. Já durante este mês de novembro, a Opel iniciará a montagem do modelo Grandland X numa nova fábrica na Namíbia, para o mercado africano.

Pela primeira vez, a Opel começa a ter uma oferta completa de ‘leasing’, sob a estrutura da marca de mobilidade Free2Move do Groupe PSA. Este facto acrescenta um estímulo adicional de crescimento.

Michael Lohscheller sublinha que a implementação do plano estratégico ‘PACE!’ continua a ser a máxima prioridade em toda a empresa. «Vamos continuar a concentrar todos os nossos esforços no âmbito do ‘PACE!’ e alcançaremos sucesso sustentado como marca alemã.»