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O poeta escreve e ensaia

Viu ontem à noite poeta franzino

Era quase meia noite

Quando bater à porta na central dos versos.

Eu disse para ele, só entra os honestos

Lá fora ficam os maus e os perversos.

Eu lhe garanti que veio ter comigo

Um Fernando e um Shakespeare

Não acreditou. Eu disse, faz bem amigo

Prefiro estar sózinho a escrever e ensaiar.

Eu disse aquele poeta franzino

Que também foi outrora um menino

Nunca andei no fio da navalha, nem cretino

Entrava na central dos versos

E que para entrarem travei uma auto-batalha.

Disse ainda que o poeta aconselha e sobreavisa

E que calar-se só á custa de uma mordaça

Por que sua voz ecoa no meio da praça

Onde um Sampedrense fidalgo, magro como um galgo

Se assentou no café Tropical numa mesa com arte e cultura.

E ao canto do café o poeta vê entrar uma candidatura,

Um tipo cavalheiresco e outro gordo brutesco

E eu disfarço e olho na montra e na vitrina

Depois vou embora pego na sebenta e dobro a esquina.

Pois preciso de escrever e depois meditar !

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