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O lápis vermelho

O parecer da Comissão para a Igualdade de Género (CIG) contra os manuais de atividades da Porto Editora é um perfeito hino à estupidez. Um ato de censura deplorável, numa democracia supostamente madura. Uma imposição de uma nova casta de ditadores de consciência, que julgam poder impor os complexos de género, que uma minoria perfilha, a todos os outros, a quem negam o direito de ler o que entendam e de educar os seus filhos com igualdade, mas também na afirmação de sexos, que felizmente são diferentes. Pior, o “lápis vermelho” que agora risca livros, como antes outros os queimavam na fogueira, agiu por determinação de um ministro Cabrita, que arvorado em paladino da ambiguidade de género, esquece os tempos em que na Oposição se permitiu a ignomínia de tratar uma ministra como “a frígida Maria Luís”, a par de um primeiro-ministro, António Costa, que acha normal dirigir-se à presidente do CDS como “aquela senhora”. Não têm noção.

Para lá da mentira do grau de dificuldade, a CIG indigna-se porque os manuais têm cores diferentes, “(azul para “Rapazes” e cor-de-rosa para “Meninas”)”. Pergunta-se: aspas onde se escreve “Rapazes” e “Meninas” porquê? Rapazes são rapazes e meninas são meninas. Eles com cromossomas XY e elas XX. Não o são entre aspas. Sendo que quanto à cor, talvez lhes ocorra que até o SNS distingue à nascença, nos hospitais, as meninas com uma fita cor-de-rosa e os meninos com uma fita azul, no tal estereótipo que repete nos boletins individuais de saúde? Não são unissexo, nem multicolor.

Francisco Louçã amofinou-se, porque os manuais tratam os meninos como “garbosos candidatos à aventura de piratas” e as meninas como “nenúfares caminhando para rainhas”. Acontece que realmente e em regra, os meninos não sonham ser rainhas, vestidos de cor-de-rosa e não há grande registo de meninas que anseiem pela vida de piratas. As coisas são assim, por muito que o BE ensaie acampamentos para jovens forçados a partilhar balneários e WC, convencidos de que isso sim, é ser moderninho.

Com o BE a mandar tanto, não se estranhe que banidos os manuais, se lhes sigam os contos infantis, do Peter Pan, à Branca de Neve, com pecado maior para a Gata Borralheira, que para além de casar com o príncipe, começou criada, encarnando em si todo um paradoxo da luta de classes.

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