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O jogo e o turismo de mãos dadas em Portugal

Qualquer português sabe que o jogo e o turismo andem de mãos dadas desde muito cedo em Portugal, mas o tipo de relacionamento e a dinâmica de ambos mudaram significativamente ao longo dos anos, mais concretamente na última década.

Os pontos fundamentais nesse relacionamento e dinâmica, o impacto atual e o que podemos esperar, ou melhor, antever para o futuro são explicados aqui por Victoria Oliveira (ler mais sobre a especialista).

Localização privilegiada

A localização dos principais “hubs” de jogos de azar em Portugal desde cedo está associada a alguns dos pontos mais turísticos do território nacional.

Isto é especialmente verdade para o casino da Figueira da Foz ou para o casino do Estoril, ambos situados privilegiadamente na orla Atlântica, como se sabe.

Correntemente, com a existência da internet, a localização deixa de ser tão relevante, pois qualquer um de nós pode agarrar no telemóvel e entrar num casino de Portugal, mas online.

A tradição continua a ser o que era

Independentemente de como os casinos estão a mudar e de como serão no futuro, a tradição continua a ser o que era. Porquê? Porque Portugal é mais do que nunca um polo turístico de relevância mundial e os jogos de azar e as apostas são cada vez mais populares.

Para traduzirmos isto por miúdos, só em 2019, o setor do turismo (onde também se inclui o jogo) contribuiu para 19,8% do PIB nacional, perto dos 40 biliões de euros.

Legislação favorável

Por outro lado, se a legislação já favorecia, ou pelo menos não comprometia, a atividade dos casinos físicos, a conversa muda totalmente de figura quando falamos dos sites de jogo virtual. Mas, basicamente, o “faroeste” inicial da Internet faz parte do passado.

Embora Portugal tenha avançado recentemente para a regulamentação dos jogos de azar online, apenas em 2015, começou a ditar imediatamente o futuro dos novos casinos online e mais importante ainda, a segurança dos apostadores portugueses.

Legislação desfavorável

A mesma legislação que protege os utilizadores de casino, foi a gota de água para muitos casinos omline em Portugal.

Se uns optaram por agir conforme esperado das empresas sérias, ou seja, deixando de disponibilizar a sua página e plataforma a portugueses, outros ignoraram a lei e continuaram a funcionar para surpresa e descuido de muitos.

Existem vários requisitos para a atribuição de licenças a operadores de casino e apostas desportivas, atribuição essa que é feita, nada mais nada menos, pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos do Turismo de Portugal.

Potenciais dificuldades

É um facto que os casinos físicos continuarão a deitar cartas em cidades como Lisboa, tanto entre os turistas nacionais e estrangeiros. Mas o mesmo não pode ser dito das casas online.

Estas são obrigadas a oferecer um ou vários tipos de serviços distintos predeterminados, nomeadamente apostas à cota e jogos de casino, onde se inclui o póquer e o bingo com a licença respetiva.

Só para darmos um de muitos exemplos: a concorrência não licenciada está a oferecer há muito jogos de casino ao vivo com “dealers” de carne e osso, enquanto as casas licenciadas são “forçadas” a oferecer recursos e funcionalidades autorizadas, que estão cada vez mais desatualizadas.

Pura e simplesmente, a lei não está a acompanhar a evolução da tecnologia e do mercado de casino. E isto pode representar uma dificuldade acrescida para a competitividade e rentabilidade futuras.

Impostos significantes e pandemia

Turismo e jogo sempre equivaleram a fontes de receitas substanciais. Ao regulamentar o jogo online, o Estado pode encaixar 25%, uma fatia pesada que nem todas as casas, mesmo muitas respeitadas lá fora, estão dispostas a suportar e a abdicar.

Esta receita de sucesso está a passar momentos atribulados em plena pandemia. Os casinos físicos foram os primeiros a serem afetados, registando perdas entre os 48% e os 50%, relativamente aos mesmos períodos analisados no ano anterior.

Já os casinos online, embora tenham sido mais procurados durante os primeiros seis meses de 2020, também já começam a sentir a inversão da tendência.

Estes e outros dados, bem como resultados de sondagens atuais podem ser consultados no site oficial do SRIJ e da APAJO (Associação Portuguesa de Jogos e Apostas Online).

Concluindo, com uma nota positiva…

O turismo voltará eventualmente em força e a confiança e procura de sites onde jogar e apostar online será retomada. Portugal será catapultado novamente para a linha da frente ao dominar duas das atividades de lazer mais preferidas no mundo.