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O indigno fenómeno da exploração

Portugueses a explorarem portugueses, tal como outros povos exploram os seus concidadãos. É um fenómeno indigno e inaceitável, que periodicamente ressurge, sobretudo quando há crises. Aconteceu com a crise económica e financeira após 2008 e acontece agora com a pandemia do coronavírus, que tem feito aumentar o desemprego, a precariedade laboral e a perda de rendimentos. Concretamente, falamos de um subempreiteiro português no Luxemburgo, já conhecido das autoridades, que enganou compatriotas, que os explorou, maltratou e violou direitos fundamentais.

Este é um fenómeno que deve ser combatido sem tréguas e estas empresas devem ter tolerância zero, sobretudo porque muitas vezes são reincidentes sob outro nome. É inaceitável, desde logo do ponto de vista humano. Quem explora assim não tem escrúpulos. Não quer saber do bem-estar dos outros. São oportunistas sem alma que aproveitam as crises e os momentos de fragilidade e de necessidade das pessoas para as enganarem e magoarem a sua dignidade. Coagem-nas pelo medo e chantageiam-nas para se calarem e o seu crime ficar desconhecido e impune. Mas calar estas situações é ser cúmplice delas. A denúncia é um dever e pode mesmo salvar vidas.

Os esquemas são bem conhecidos. Colocam publicidade na imprensa em Portugal e oferecem condições de trabalho e salários miríficos. Mas a realidade depois é bem diferente. O sonho não passa de um engodo miserável de quem só pensa nos lucros à custa da humilhação dos outros, desrespeitando as leis do país, a ética e os princípios do respeito humano.

Esses exploradores não merecem perdão. Ferem a dignidade humana e mancham o nome de um país e de um povo. Envergonham-nos. Neste caso em concreto, a justiça tomou conta do alegado crime da HP Construções. Infelizmente tem havido outros casos, com outros protagonistas. O ministro do Trabalho, Dan Kersch, garantiu que se houver mais exemplos e nomes de exploradores, que as inspeções do trabalho atuam logo. E é assim que tem de ser, para que estes casos sirvam de exemplo e não voltem a repetir-se.

Paulo Pisco

Deputado do PS

 

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