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O impasse político na Venezuela

O impasse político na Venezuela implica a realização de eleições livres.

Precisamos devolver a voz aos venezuelanos. Essa deverá ser a nossa posição enquanto cidadãos e essa é, também, a posição do governo português que, nos últimos anos, se esforçou por estabelecer um diálogo com o regime de Nicolás Maduro.

Acreditamos profundamente no poder do diálogo para a resolução dos problemas. Infelizmente, do outro lado temos alguém que se limita a protelar, enquanto as condições de vida dos cidadãos, muitos deles luso-descendentes, se vão deteriorando a cada dia. Agora é altura de eleições.

Tive oportunidade de falar com muitos cidadãos venezuelanos e portugueses residentes naquele país e que, entretanto, procuraram abrigo na Europa, em Portugal e na minha região, a Madeira. Falei com cidadãos que assumem um posicionamento político mais à esquerda (muitos deles apoiantes iniciais de Hugo Chávez). Outros mais à direita. Ou ainda, a maior parte deles, sem qualquer inclinação política, apenas preocupados com a sua sobrevivência, a dos seus entes queridos ou a salvaguarda dos seus bens. Todos referiram a degradação das condições de vida, ao ponto de colocar em causa a dignidade humana. Todos mencionaram a falência de serviços sociais como a educação e a saúde. Todos denunciaram a corrupção, a troca de votos por comida ou emprego… a falta de liberdade política e de expressão ou a intimidação realizada pelas milícias.

A crise na Venezuela não é a prova da crueldade do comunismo ou do socialismo (até porque, há muito, o regime de Maduro se afastou desses ideais, de quaisquer ideais). A crise na Venezuela também não é a prova da crueldade do neoliberalismo. Uma ditadura é uma ditadura. Estarei sempre contra as ditaduras, contra os regimes autocráticos e contra as democracias iliberais. Não podemos deixar passar em branco o que se passa na Venezuela.

O futuro da Venezuela passa por deixarmos de a tomar como campo de batalha entre a esquerda e a direita, por deixarmos de a tomar como símbolo dos sonhos da esquerda ou dos pesadelos da direita.

Neste confronto, será sempre o povo a perder. É sempre ele a arma de arremesso. Por isso mesmo, deve ser ele a nossa prioridade e isso passa, para já, pelo disponibilizar de ajuda humanitária. É o momento de agir com seriedade. O mais importante nesta disputa de poder passa pela segurança dos cidadãos.

De acordo com as Nações Unidas, cerca de três milhões de venezuelanos já migraram para os países que fazem fronteira com a Venezuela devido à instabilidade política em que tem vivido, sob a liderança, ou a falta dela, de Nicolás Maduro.

Se Maduro se preocupa com o seu povo, como não se cansa de afirmar, então deverá aceitar a ajuda humanitária e a realização de eleições livres. Se se preocupa com os seus cidadãos, não se importará com a clarificação.