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“O Governo quer proteger a TAP por razões incompreensíveis”

© Bernardo Neves / BOM DIA

O CEO da Ryanair deu uma entrevista onde refere que este ano vai ultrapassar a TAP em Portugal. Admite também que a companhia aérea portuguesa poderia emprestar “slots”.

Michael O’Leary referiu ao ECO que a Ryanair tem capacidade para ficar com os 18 slots que terão de ser cedidos pela TAP em Lisboa. No entanto, admite também que a companhia aérea portuguesa está a “fazer força em Bruxelas” para que a Ryanair não fique com os espaços, mas sim a easyJet.

O CEO referiu também que não há outras companhias aéreas a quererem crescer em Lisboa. O empresário irlandês tem vindo a ser muito crítico com a postura do governo acerca da TAP e com a maneira como tem gerido as slots na capital.

O’Leary admitiu que, caso ficasse com os slots que a TAP tem de soltar, por obrigação da Comissão Europeia, conseguiria trazer a Lisboa mais “1,3 milhões a 1,5 milhões de passageiros por ano”, mesmo que admita que não vá acontecer por teorias contra a Ryanair. “Estamos à espera de uma decisão. Mas assumo que a TAP está lá (em Bruxelas) a pedir por favor para darem os slots à easyJet”, admitiu na entrevista. Considera ainda que a companhia britânica não teria capacidade de preencher todas as slots.

A Ryanair acabou por cancelar 19 rotas em Lisboa para o verão e considera que o culpado é a TAP, que “continua a bloquear slots que sabe que não pode usar”, como refere ao ECO. Admitiu que é difícil arranjar slots em Lisboa no verão, dada a afluência, apesar de ser fácil no inverno, garantindo que as rotas reabrem quando o frio vier.

“Se não tivermos os slots adicionais da TAP, (a Ryanair acabará por) crescer no inverno, decrescer no verão, e assim sucessivamente. É uma situação bizarra. É de loucos”, admite o CEO, por ter cancelado rotas em Lisboa que regressarão no inverno, como Madrid, Palermo ou Cracóvia. Contudo, no Porto a Ryanair admite que mantém a procura de novas rotas.

Quanto a emprestar slots, a NAV Portugal, entidade pública de tráfego aéreo, ressalva que um empréstimo não é legalmente possível. Admite que a mobilidade de slots, prevista no regulamento europeu, só pode acontecer em três situações específicas e que em nenhuma delas está previsto o empréstimo, que Michael O’Leary desmente.

“Não há absolutamente nada que impeça as companhias aéreas de emprestarem slots. Isso acontece na maioria dos aeroportos. As companhias podem emprestar slots a quem elas quiserem“, admitiu o CEO, dando os exemplos de Londres Heathrow e de Paris-Charles de Gaulle como casos em que o empréstimo acontece.

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