De que está à procura ?

Colunistas

O futuro democrático de Portugal está nas nossas mãos

© lusa/dr

No passado, por questões políticas que estavam na ordem do dia, escrevi para um jornal português na Alemanha textos de reflexão que achei serem importantes, não só para transmitir uma opinião como para fomentar algum debate necessário.

Em 2015 escrevi sobre “Moral e integridade na política e no poder decisório do Estado de direito”.
Em 2023 escrevi sobre “A Ética Republicana e a sua influência no Estado Democrático e de Direito”.

Começando com um parágrafo do texto de 2015, “a política, como uma das dimensões mais nobres da atividade humana, tem de andar de mãos dadas com uma teoria moral e com uma conceção de integridade. […] O Estado é de facto ou pode ser tendencialmente uma Pessoa de Bem.”

Mas porquê esta introdução num período de campanha para a segunda volta das eleições para a Presidência da República?

– Porque vivemos tempos em que o medo e a desinformação são usados como arma política!

Na segunda volta das eleições presidenciais temos dois candidatos que não poderiam ser mais distintos.
A decisão do eleitor é a escolha entre dois caminhos para Portugal. De um lado, temos a política do medo, da provocação, do ódio, da mentira e da divisão. Um é candidato da extrema-direita populista, que se alimenta do ressentimento, que aponta inimigos internos e que transforma frustrações legítimas em ódio dirigido aos mais frágeis da sociedade.

O outro candidato representa a responsabilidade democrática, a ética e a moral, a moderação firme, a defesa da Constituição da República, atuando no respeito absoluto pelos valores de Abril.

É bom não nos enganarmos nem nos deixarmos enganar! O discurso populista e xenófobo não aparece para resolver problemas — aparece para os explorar. Quando faltam respostas sérias para a habitação, para a saúde, para os salários ou para a juventude, inventam-se culpados: os imigrantes, os pobres, os diferentes. Isso não é coragem política. É fraude moral.

Portugal sabe bem o que acontece quando a democracia é desvalorizada, quando a linguagem do ódio é normalizada e quando o autoritarismo se apresenta com cara de “antissistema”. Já vivemos décadas sem liberdade, sem pluralismo e sem dignidade cívica. Não foi assim há tanto tempo. E não foi por acaso que a Constituição da República consagrou a igualdade, os direitos humanos e a rejeição do racismo e da discriminação.

Na Presidência da República não cabe o insulto, nem a gritaria, nem o espetáculo permanente. Cabe o exemplo. Cabe a defesa da Constituição, a promoção da coesão nacional e o respeito por todos os portugueses — sem exceções. Um Presidente não divide o povo para ganhar votos. Um Presidente une o país para garantir o futuro.

É por isso que, nesta segunda volta, apoiar um candidato moderado, conciliador e eticamente sólido não é um estado de fraqueza. É lucidez e grandeza moral. É perceber que a democracia não se defende com punhos cerrados contra fantasmas, mas com instituições fortes, diálogo responsável e princípios claros.

Não confundamos agressividade com força. A verdadeira força política está em proteger a liberdade de todos, especialmente quando ela é atacada em nome de soluções fáceis e slogans vazios. Está em dizer, sem ambiguidades, que em Portugal não há cidadãos de primeira e de segunda.

Esta eleição é um teste à nossa maturidade democrática. É o momento de dizer que não aceitamos que o Palácio de Belém seja usado como palco para o ódio, a exclusão ou a permanente descredibilização da democracia.

Na segunda volta, escolhemos mais do que um Presidente. Escolhemos que tipo de país queremos ser. Um país fechado sobre si próprio, governado pelo medo? Ou um Portugal democrático, plural, confiante e fiel aos valores de Abril?

Eu escolho a democracia. Eu escolho a dignidade. Eu escolho António José Seguro!

Alfredo Stoffel
(Depois de uma troca de impressões com Manuel Campos)

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.

TÓPICOS

Siga-nos e receba as notícias do BOM DIA