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O Europeu de todos nós

A partir de hoje vai decorrer em França o segundo maior evento futebolístico a nível mundial. O Europeu 2016 irá desenrolar-se, durante um mês, em várias cidades gaulesas e vai, certamente, mobilizar muitos adeptos do desporto rei em todo o Mundo.

Esta competição tem, para nós portugueses residentes em França, um particular simbolismo porque ela decorre no país em que vivemos e, desta vez, conta com a presença da seleção de todos nós.

É preciso regressar a 1984, aquando da realização do Europeu também aqui neste país, para vivermos um momento semelhante em que as nossas cores vêm junto de nós competir ao mais alto nível. Se no aspeto desportivo seria bom, pelo menos, igualar o percurso dos Patrícios de 84, todos esperamos, para além disso, que esta competição seja um grande momento de confraternização, de festa e de apoio à equipa de Portugal.

No entanto, para além da competição desportiva que nos vai levar a envergar os cachecóis e as camisolas com as cores de Portugal, existem outros desafios que também devem motivar a nossa comunidade. Desde logo, a própria organização do torneio que neste momento já mobiliza todo um país, sendo já visível o trabalho de muitos autarcas de origem portuguesa e da própria comunidade através da sua rede empresarial e associativa, esperando todos que a competição seja um sucesso e que decorra, sobretudo, sem distúrbios ou violência. Ou seja, que se jogue apenas futebol e que o Euro 2016 seja uma grande festa em França com a participação de muitas nações. O bom desenrolar da prova depois dos momentos que, muito particularmente, a cidade e o povo parisiense viveram no último ano, esse sim, será uma grande vitória para todos nós.

O segundo desafio tem a ver com a oportunidade única que a nossa comunidade vai ter, em termos de visibilidade em Portugal. A presença da seleção nacional nesta competição, aliada à vinda do Sr. Presidente da República para as comemorações do 10 de junho, vai trazer a França muitos jornalistas e serão bastantes os momentos que as nossas gentes que aqui vivem terão para poderem transmitir uma ideia mais real do que é ser português em França.

Infelizmente, as comunidades portuguesas só costumam merecer audiência em Portugal aquando dos momentos de catástrofe ou, eventualmente, no acompanhamento das nossas equipas quando competem no estrangeiro. Por isso, penso que devemos aproveitar esta ocasião tão importante.

Mas este segundo desafio permitirá, talvez, dar a conhecer em Portugal uma comunidade com um elevado nível de integração e que assume hoje, em França, um papel muito importante tanto no plano económico como no plano político. Esta poderá ser também uma boa oportunidade para divulgar em Portugal esta realidade da dupla pertença (Portugal-França) que, em minha opinião, é uma riqueza para os filhos e para os netos das primeiras gerações que emigraram para França. Mas é, sobretudo, uma riqueza incalculável tanto para Portugal como para a França.

É interessante verificar que, nos convocados das duas seleções, há jogadores que vivem precisamente esta realidade. Do lado português, o Anthony Lopes, o Raphael Guerreiro e o Adrien Silva, nascidos em França mas que tiveram a possibilidade de optar pela nossa seleção. Do lado francês, lembro o caso do Antoine Griezmann, que a nossa comunidade de Macon conhece muito bem e cuja mãe é portuguesa.

São estas especificidades que compõem a nossa comunidade que nos vão fazer viver esta competição com muita intensidade e desejar que corra tudo bem no plano organizativo e, ao mesmo tempo, ter muitas oportunidades para desfraldar a nossa bandeira e gritar com alegria pelo nome de Portugal.

Ao escrever este artigo sobre o Europeu 2016 e a sua relação com a nossa comunidade não poderia deixar de referir duas situações que considero serem também importantes. Em primeiro lugar, o papel que o desporto teve e tem na inserção social da nossa comunidade e o papel que o desporto e, muito particularmente, o futebol tem na relação dos mais jovens com o seu país de origem. Com efeito, são muitos aqueles que apesar de terem nascido em França e, por vezes, já terem alguma dificuldade de se exprimir na nossa língua, ostentam com grande satisfação as cores da equipa das quinas ou as do seu clube do coração em Portugal.

Finalmente e, aproveitando, o facto de estar a escrever sobre desporto quero lembrar dois êxitos muitos recentes que também enchem de orgulho a nossa comunidade aqui residente. O título de campeão nacional francês de futsal alcançado pelo Sporting de Paris e a subida para CFA 1 do cinquentenário “US Lusitanos”.

Somos Portugal!

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