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O dia mais importante de Vitorino Nemésio

O professor, natural da Praia da Vitória, Açores, não precisa de apresentação, pelo menos para os leitores portugueses.

Quem não se recorda da célebre rubrica da RTP: “Se Bem me Lembro”, que alcançou extraordinários picos de audiência?

Todavia, é natural, que a juventude – os que nasceram após a Revolução dos Cravos, – nunca tenha ouvido falar dele, assim como a maioria dos leitores do Brasil.

Digo: é natural não conhecer o escritor, porque nos dias que correm, não se estuda a História da Literatura, nem se dá ao trabalho de ler os escritores fundamentais da língua portuguesa.

Deveria ter escrito, para ser mais correto: que não se lê ou lê-se pouco, e o pouco que se lê, são romancezinhos da moda, badalados como best-seller, e revistinhas cor-de-rosa.

Assim não admira, nem é de pasmar, que muitos que completam o “secundário”, desconheçam os escritores pilares da nossa literatura contemporânea: Camilo, Eça e Machado de Assis.

Mas não é de literatura, nem de leitores, que venho abordar, mas do Prof. Doutor Vitorino Nemésio, que depois de ter sido maçónico, membro da loja “ A Revolta”, congraçou-se com Deus, de coração contrito.

É D. Manuel Almeida Trindade, que conta em: “ Memórias de um Bispo”:

Na quarta-feira, da Semana Santa, do ano de 1955, o Professor da Universidade de Lisboa, foi visitar o amigo; e conversaram durante três horas, a fio, sobre matéria transcendente e espiritual.

Vitorino Nemésio, expôs, perante o sacerdote, suas dúvidas e seus “erros”.

No final, o escritor, chorou abundantes lágrimas de arrependimento, enquanto o amigo lançava-lhe a absolvição.

Vitorino Nemésio, nasceu a: 19/12/1901. Era casado com Dona Gabriela Monjardino Azevedo Gomes, e pai de quatro filhos; foi, na época, o escritor mais conhecido da vida cultural de Lisboa.

Formou-se em Filologia Românica, com elevada classificação, e chegou a ser diretor do matutino lisboeta: “O Dia”.

O gesto de humildade, profundamente cristão, tão raro em figuras eminentes do meio intelectual do nosso país, é digno de não ser esquecido, para exemplo de muitos, que parecem envergonhar-se da sua fé.

Era então, o Bispo de Aveiro, reitor do Seminário, e limitou-se a contar o facto – como era seu dever, – sem entrar em particularidades, sobre o momento em que o Professor se reconciliou com Deus.

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