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O descanso do guerreiro

Gosto de te ver altivo e pujante
ergueres-te sem que eu mande
a fronte a latejar de loucura
a ânsia do combate, a bravura,
dono de ti mesmo e da tua vontade
a desbravar caminhos indeléveis
sobre as minhas fronteiras e confins
gosto que faças nascer a minha sede
de rios, desfiladeiros, oceanos
a derramarem-se em cascatas furiosas
sobre os meus lábios e prosas
e que depois venhas aliviar
os teus braços e cansaços
nas minhas margens, na minha foz
e eu já rouca e sem voz,
vem, meu guerreiro, repousa no meu peito,
na minha alma, na minha mão,
eu gosto de ficar a olhar-te daqui,
o meu rosto sobre estas coxas
e tu adormecendo finalmente
sobre o ventre
do meu homem.

Daniela D’Ávila
(JLC20012019)