
Por que razão é que António Costa aceitou, sem contestar, o valor do défice em Portugal considerado pela Comissão Europeia, de 3,2 % do PIB em 2015, sem contabilização das ajudas extraordinárias à Banca, quando outras entidades o fixavam em números inferiores – INE 3% e Eurostat 2,8% – sabendo-se que na diferença estaria, eventualmente, a decisão de aplicação, ou não, de sanções a Portugal?
A resposta óbvia está no álibi que o PS precisa para uma governação desastrosa que rasga compromissos e faz reversões e que em pouco mais de seis meses inverteu todos os indicadores positivos alcançados pelo PSD e o CDS e fez disparar os alarmes junto dos credores e dos mercados.
Um défice superior a 3 % em 2015 permitirá ao PS argumentar com desfaçatez que o anterior Governo falhou. E lá para o final do ano, quando se confirmar nova hecatombe nas contas públicas, a culpa, claro, será das sanções.
Com o PS no Governo em 2010, o défice atingiu um valor recorde de 11,2 %. Significa que a redução conseguida para 3% em 2015 pelo PSD e o CDS, mais décima, menos décima, a par da aplicação de um programa de ajustamento imposto pela Comissão Europeia com impacto recessivo, só poderia justificar louvor. Nunca castigo.
Entre 1999 e 2015 a França incumpriu sem permissão as metas do défice 11 vezes, a Grécia e a Polónia 10, o Reino Unido 9, a Itália 8, a Hungria 7, a Alemanha e a Irlanda 5.
A Comissão Europeia poderá propor sanções, mas é ao Conselho, onde a família PPE representa seis governos apenas, que competirá decidir. Os socialistas são muitos mais. Sanções a Portugal, só se a Esquerda quiser.
