
Um novo ano traz sempre consigo a esperança de uma vida melhor, com mais desafogo e oportunidades e, sobretudo, com mais segurança e estabilidade para as pessoas poderem projetar o futuro.
Em Portugal assistimos nos últimos anos a uma grande recessão social, em que os remediados ficaram mais pobres, e os mais pobres ficaram ainda mais pobres. Ou seja, a vida dos portugueses ficou bastante mais difícil e incerta e muitas pessoas passaram a sentir a exclusão na pele.
Aumentou a pobreza e a exclusão social. Aumentou, sobretudo, uma das formas mais preocupantes de pobreza, que é a infantil, pelo efeito bloqueador que tem para um futuro melhor e para uma sociedade mais equilibrada e justa.
Por sua vez, a atividade económica está submersa numa fiscalidade asfixiante, que leva o dinheiro e os rendimentos das pessoas e, quantas vezes, obriga a fechar as portas de negócios recentemente iniciados. É absurdo serem as pessoas a financiar o Estado por causa das suas ineficiências, quando deveria ser o Estado a proporcionar sempre melhores condições de vida às pessoas.
Em consequência da crise económica e das duríssimas políticas de austeridade, o país conheceu um surto de emigração sem precedentes, perante a conivência cúmplice do Governo, que não fez o necessário para acompanhar esses fluxos migratórios. Pelo contrário, incentivou os portugueses a sair e depois reduziu as políticas públicas para os apoiar, degradando os serviços consulares e de ensino de uma forma que nunca se vira. Do Governo e da Secretaria de Estado das Comunidades saíram pouco mais que políticas superficiais e inconsistentes, que não honram a necessidade de reforçar efetivamente os laços que ligam o país aos seus cidadãos residentes no estrangeiro.
2015 deve, pois, ser um ano de mudança. De mudança para que, finalmente, as pessoas estejam no centro das preocupações das políticas públicas, para que a vida dos portugueses se torne mais fácil e não sejam obrigados a emigrar ou a viver os dias mergulhados na angústia das dificuldades.
O novo ano que agora se inicia deve ser de mudança no sentido de conseguirmos uma sociedade mais aberta, criativa, dinâmica, justa e inclusiva, em que as pessoas e as instituições acreditam mais umas nas outras e geram oportunidades para todos.
2015 deve ser um ano em que os portugueses que vivem e trabalham fora do país se sintam verdadeiramente mais reconhecidos, valorizados e integrados no nosso esforço coletivo de desenvolvimento, sem discriminações nem preconceitos.
Este deve ser um ano de luta para que as políticas públicas tenham mais humanidade, a bem de todos e do futuro do país.
Mas para isso, não basta apenas ter esperança na mudança. É preciso que todos lutemos para que ela aconteça e que ninguém se demita do seu dever cívico de lutar por uma nação melhor para todos.
Paulo Pisco
Deputado do PS
