
Olá! Como vai isso? Estava a brincar, pois não estou interessado em saber.
Ora, ontem como de costume, dei mais uma opinião sobre um tema que está a gerar uma onda de solidariedade pelo Facebook. Chamaram-me vários nomes engraçados, mas poucos souberam respeitar a minha opinião. Ficaria surpreendido se acontecesse o contrário, afinal de contas estamos na era da Internet.
Portanto, só mesmo para contextualizar: Horácio Nunes (na fotografia), emigrante português na Suíça, tem um cancro terminal, mais especificamente um cancro cerebral, maligno e galopante. A família, mais concretamente a sobrinha, abriu uma página no Facebook para angariar fundos para concretizar um último desejo do tio. “O meu tio já não comunica, mas entende tudo que lhe dizem, mas enquanto ainda o conseguia fazer, deixou o seu maior desejo: QUE O TROUXESSEM PARA CASA, PARA PORTUGAL! Nunca pensamos ser tão difícil cumprir o seu último desejo. Quando colocamos esta vontade aos médicos, logo nos disseram que teria que regressar num transporte especial. Um avião médico, com condições especiais, acompanhado por uma equipa médica. Transporte esse que custa a quantia exorbitante de 15.000 Francos!! Dinheiro que a minha tia e a minha prima não têm!”
Respeitando a tristeza da família e o desejo do pobre homem, tenho a dizer que tudo não passa de um sonho ou desejo absolutamente excêntrico. Acho sinceramente que há quem valorize demasiado a morte, onde irá morrer e como. E eu não partilho da mesma opinião.
Não conheço o Horácio Nunes, nem conheço especificamente o caso dele nem tão pouco sei se este caso é real, mas independentemente disso tudo, o Horácio já não tem cura. Portanto, por mais cruéis que sejam estas palavras, o querer morrer em casa, mais concretamente em Portugal, é um desejo legítimo mas dado ao custo monetário envolvido, na minha opinião tudo não passa de um desejo excêntrico e egoísta.
Talvez para um jogador de futebol, ou para um gestor ultra milionário 15 mil euros, não seja uma quantia de relevo, mas para um simples cidadão, 15 mil euros é ainda uma quantia significativa. Mas, e porque não investir esse dinheiro em busca da cura? Porque não investir essa quantia para reintegrar pessoas que neste momento estão moribundas na sociedade? Porque não investir esses 15 mil euros, na criação de “novas” vidas? Por mais cruéis que sejam as minhas palavras, eu considero esse sonho uma excentricidade. Principalmente numa época em que a crise é uma palavra presente e sentida no dia-a-dia.
O sonho é legítimo, o peditório é legítimo e a onda de solidariedade também é. Mas creio que pensar de forma mais abrangente também seja lícita, independente de quem seja a pessoa, e o que fez na vida. O que sabemos é que o fim da vida do Horácio está perto, (infelizmente) mas o dinheiro que está a ser mobilizado para cumprir um “sonho”, poderia ajudar a dar vida e a curar vidas.
