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Municípios ibéricos preparam fusão

Os municípios de Almeida e de Ciudad Rodrigo (Espanha) apresentaram esta quarta-feira o projeto de criação de uma eurocidade, para possibilitar a realização de projetos comuns que promovam o desenvolvimento do território de ambos os lados da fronteira.

O projeto da Eurocidade “Porta da Europa”, que abrange as vilas de Almeida e de Vilar Formoso, no distrito da Guarda, e as localidades espanholas de Fuentes de Oñoro e Ciudad Rodrigo, foi esta quarta-feira apresentado numa sessão realizada na fronteira de Vilar Formoso, no dia em que as fronteiras terrestres entre os dois países foram reabertas após um período de encerramento devido à pandemia causada pela covid-19.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Almeida, António José Machado, o projeto eurocidade Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro/Almeida/Ciudad Rodrigo constitui “um passo importante” para a definição de “uma estratégia de desenvolvimento económico” do território abrangido.

A iniciativa também é encarada como mais um contributo “em prol da cooperação” transfronteiriça, pois permitirá realizar um trabalho conjunto para a dinamização empresarial, a planificação e gestão conjunta de recursos humanos em determinadas áreas e o desenvolvimento de um plano de feiras e eventos.

Tem como objetivos, entre outros, estabelecer mecanismos de gestão e revalorização do território, com capacidade de fixar e atrair população, de criar e consolidar dinâmicas de emprego, bem como garantir a fixação de investimento de base produtiva e “implementar medidas que eliminem ou minimizem os custos de contexto que tanto penalizam as empresas e os cidadãos” locais.

A Eurocidade “Porta da Europa” terá sede em Vilar Formoso e a sua presidência será rotativa, por um período de dois anos, iniciando a atividade com a liderança do presidente do município de Almeida.

Na cerimónia de apresentação do projeto, o autarca de Ciudad Rodrigo, Marcos Iglésias, disse que o mesmo vai permitir, apesar da divisão política dos dois países, reivindicar “uma série de aspirações comuns”, com a perspetiva do desenvolvimento económico.

Segundo o responsável, trata-se de um projeto que “está assente na esperança”.

Para Isidoro Alanis, autarca de Fuentes de Oñoro, a eurocidade vai permitir “dar a volta” a vários problemas verificados no seu território, referindo que a região será, provavelmente, “a mais deprimida, mais pobre e mais abandonada” pelas instituições de Espanha.

Na sua opinião, a eurocidade vai trabalhar para “tentar atrair empresas e criar postos de trabalho”.

Acácio Alves, secretário da Junta de Freguesia de Vilar Formoso, admitiu que o projeto servirá “para trazer pessoas” para o território.

O autarca desejou que o mesmo “seja uma oportunidade” para que Vilar Formoso e Fuentes de Onõro “se consigam desenvolver mais do que até agora”.

“Esperamos que a criação desta eurocidade traga para Vilar Formoso e para Fuentes de Oñoro aquele desenvolvimento que todos sentimos que não temos”, rematou.

Após a cerimónia, que também incluiu a assinatura do protocolo de constituição da Eurocidade “Porta da Europa”, os autarcas e os representantes de várias entidades presentes realizaram um ato simbólico de reabertura da fronteira, que esteve fechada desde o dia 16 de março, devido à pandemia causada pela covid-19.

O programa terminou com um minuto de silêncio pelas vítimas da pandemia.