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Mundial2026: EUA preparam sistema de vistos para adeptos com bilhetes

© Ricardo Silva / BOM DIA

Os Estados Unidos poderão estar a preparar a criação de um sistema especial de vistos para cidadãos estrangeiros que pretendam deslocar-se ao país para assistir aos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, competição que será coorganizada pelos EUA, Canadá e México, segundo revelou o jornal Politico. A solução em estudo poderá aproximar-se do modelo adoptado pela Rússia no Mundial2018, quando foi implementado um regime específico de entrada para adeptos portadores de bilhetes.

Segundo a publicação norte-americana, o Departamento de Estado encontra-se no centro de um complexo desafio político e diplomático: conciliar a abordagem restritiva da administração de Donald Trump em matéria de imigração com a necessidade de garantir o sucesso organizativo e mediático do maior evento desportivo do mundo.

Nesse sentido, várias embaixadas e consulados dos Estados Unidos em todo o mundo estão a reforçar os seus quadros para acelerar o processamento de vistos e a desenvolver um sistema próprio para o Mundial de 2026, que permitirá dar prioridade a titulares de bilhetes na marcação de entrevistas consulares. Este mecanismo, descrito internamente como um processo específico para o Mundial, recorda a chamada Fan ID criada pela Rússia em 2018, que funcionava como uma autorização especial de entrada no país para os adeptos estrangeiros.

“O Departamento de Estado tem um papel muito importante a desempenhar, sobretudo do ponto de vista dos estrangeiros”, afirmou John Feeley, antigo embaixador dos EUA no Panamá, um dos países com selecções apuradas para a fase final.

Em paralelo, Washington está a solicitar a cooperação de governos estrangeiros para a partilha de informações sobre indivíduos identificados como hooligans, com o objectivo de lhes negar vistos por razões de segurança. Responsáveis actuais e antigos do Departamento de Estado admitem que esta triagem reforçada será um dos pilares do novo sistema, numa tentativa de evitar incidentes durante o torneio.

A complexidade do processo é acentuada pelas ordens executivas de Donald Trump que impõem restrições de viagem a nacionais de mais de três dezenas de países, incluindo alguns com equipas qualificadas para o Mundial de 2026. Embora existam isenções gerais para jogadores, treinadores e membros das equipas técnicas, estas não são automáticas e continuam sujeitas a avaliações rigorosas.

“O Departamento de Estado tem dois públicos”, explicou Gerald Feierstein, antigo diplomata sénior dos EUA ao Politico. “Um público externo, para quem a intenção é estender o tapete vermelho, e outro interno, uma administração marcadamente xenófoba. É esse o equilíbrio delicado que terá de gerir.”

Apesar das garantias oficiais de que estão a ser feitos esforços para reduzir os tempos de espera, o secretário de Estado, Marco Rubio, advertiu recentemente que possuir um bilhete para um jogo não equivale a ter autorização de entrada no país, aconselhando os adeptos a iniciarem o pedido de visto com bastante antecedência.

A preparação deste sistema específico de vistos integra-se numa estratégia mais ampla delineada num documento interno conhecido como “Sports Diplomacy Playbook”, que define o desporto como um instrumento de diplomacia, projecção de soft power e captação de investimento estrangeiro ao longo da chamada “Década do Desporto”, que inclui ainda os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

Caso venha a concretizar-se, este regime poderá tornar-se uma das medidas mais simbólicas do esforço dos Estados Unidos para compatibilizar segurança interna, política migratória e ambições globais num evento que colocará o país sob escrutínio internacional.

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