
Poder-se-iam fundir no céu, na cor da terra
no azul do mar mar, no chão
no breu da noite mais escura
na beleza etérea do espaço sideral.
Gritar a beleza aos quatros cantos do mundo,
ou o silêncio da amargura nas longas noites de solidão.
seriam sempre as mesma figuras erguidas
olhando para o amanhã.
Sozinhas haveriam de tecer longos xailes de lã
que aquecesse nas noites frias de inverno,
haveriam de amar de novos os homens
que partiram um dia ,juntando-se a fúria do mar.
E mesmo assim tecendo e amando,
seriam sempre as mesmas figuras erguidas
olhando o amanhã.
Partilhariam confidências,segredos guardadados
a vida crua nos revezes do destino
odores eternos confecionadas
nas cozinhas da memória,e riqueza da sua própria história.
Rezariam em conjunto em templos despidos de luz
orações seculares ,num dialecto desconhecido
e mesmo assim seriam sempre as mesmas figuras erguidas
olhando o amanhã.
São Gonçalves in A Alma da Cor
Edições Vieira da Silva, 2013
