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Morre-se muito a ir e a vir de férias

Há pouco mais de 3 anos escrevia um texto intitulado “Morrer como um emigrante“.

Este domingo fomos sacudidos pela morte de mais um casal de emigrantes portugueses a viver no Luxemburgo. Deixam uma filha de 15 meses. Morreram no local. De madrugada. Depois 1400Km de viagem e com mais 600 para fazer. Quiçá depois de uma noite a conduzir.

Morre-se muito a ir e a vir de férias. Se não há alternativas? Por certo que as há. Pode ir-se de avião. Mas custa perto de 2.000€ reservar bilhetes para uma família de 4 pessoas, para as próximas férias de natal. E depois não há a facilidade de se ter o carro “lá em baixo”.

Pode ir-se de autocarro em jornadas que em nada são menos alucinadas que as aventuras de carro, e demorar mais de 24h.

E de comboio? Podemos ir. A partir de 1.500€ para o mesmo grupo (agora para as férias dos santos). Mas é preciso andar “perdidos” pelo meio de Paris a fazer transbordo entre a Gare de l’Est e a a Gare de Montparnasse. Com as malas e tarecos. No regresso com os salpicões e garrafões de azeite – não serão, talvez, estes os produtos, mas muita coisa se trás da terra para matar saudade.

Caros Paulo Pisco, Carlos Gonçalves, Rita Rato (assim que os saiba adicionarei os demais): quero da vossa parte o compromisso firme que, sendo eleitos, tomarão todas as medidas necessárias para obrigar o governo português a, em articulação com os outros países, criar “corredores emigrantes-férias” para que se possa ir de férias descansado.

Nada impede que se vá de comboio entre o Luxemburgo e Hendaye, dum só fôlego, e que depois haja uma ligação, também directa, a vários pontos de Portugal.

Quem tenha andado de comboio nos países pós-soviéticos sabe bem que os comboios se dividem e reagrupam para permitir a diferentes carruagens irem para destinos diferentes.

O transporte de carros é algo que também não é um conceito moderno.