De que está à procura ?

Lisboa
Porto
Faro
Colunistas

Meu amor de olhos pestanitidos

O silêncio do teu corpo

É corpo em tempo de amar

E a palavra verbo constrói

Inventos conjugados em fantasia.

Eu leio sombras nos teus olhos

E retalho-te em granito

Pedra rosa com um nome:

Onde o silêncio começa!

Acredita-me não tenho nada a propor-te,

Só um curta distância de te abraçar.

Tu és para mim imagem rolando

De um céu que não tem fundo.

Onde longe longe longe

Por dizer que nos tocamos

E somos de facto um silêncio

Onde tudo pode acontecer.

E vejo-te com uma coroa de abetos

Com sandálias calçadas do tempo

Que nunca mais chega para nos unir.

E penso qual de nós é o mais forte

Se é o tear da separação, ou da nostalgia

Refúgio de um beijo disfarçado

De duas bocas ofegantes e coladas

Que não mais se largam de beijar.

O amor é para todos nós um traço

E vínculo de prazer e união,

Onde assumir um compromisso

É uma atitude certa, a única dimensão.

E agora me imagino num casulo de encanto

Vivendo em sete castelos de nuvens

Num horizonte de umas pernas rijas

Com ligamentos de esferas e gelo

Voando num tapete de espanto

Num momento único de fantasia

Num casulo de carinho e de encanto.

Eu contemplo-te virgem e domada

Com uma mantilha longa de cabelos

E pego em ti robusta e nascida

Para amar alguém intensamente

E te deito sobre os lençóis imaculados.

E tu fechas teus olhos pestanitidos

E sussurras aos meus ouvidos

Vem meu amor para este leito de suspiros.

Esta publicação é da responsabilidade exclusiva do seu autor.