
O silêncio do teu corpo
É corpo em tempo de amar
E a palavra verbo constrói
Inventos conjugados em fantasia.
Eu leio sombras nos teus olhos
E retalho-te em granito
Pedra rosa com um nome:
Onde o silêncio começa!
Acredita-me não tenho nada a propor-te,
Só um curta distância de te abraçar.
Tu és para mim imagem rolando
De um céu que não tem fundo.
Onde longe longe longe
Por dizer que nos tocamos
E somos de facto um silêncio
Onde tudo pode acontecer.
E vejo-te com uma coroa de abetos
Com sandálias calçadas do tempo
Que nunca mais chega para nos unir.
E penso qual de nós é o mais forte
Se é o tear da separação, ou da nostalgia
Refúgio de um beijo disfarçado
De duas bocas ofegantes e coladas
Que não mais se largam de beijar.
O amor é para todos nós um traço
E vínculo de prazer e união,
Onde assumir um compromisso
É uma atitude certa, a única dimensão.
E agora me imagino num casulo de encanto
Vivendo em sete castelos de nuvens
Num horizonte de umas pernas rijas
Com ligamentos de esferas e gelo
Voando num tapete de espanto
Num momento único de fantasia
Num casulo de carinho e de encanto.
Eu contemplo-te virgem e domada
Com uma mantilha longa de cabelos
E pego em ti robusta e nascida
Para amar alguém intensamente
E te deito sobre os lençóis imaculados.
E tu fechas teus olhos pestanitidos
E sussurras aos meus ouvidos
Vem meu amor para este leito de suspiros.
