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Marcelo quer repensar o Natal 

Dá que pensar.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz que “se é preciso repensar o Natal em famílIa, repensa-se o Natal”.

Já ouvi do Presidente vária argumentação por não confinar aquando da recente visita a Portugal da senhora Presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que também esteve no Conselho de Estado português, e porque um dos conselheiros “testou positivo o Covid-19”, a senhora de regresso a Bruxelas auto confinou.

O Presidente português diz que cumpriu todos os protocolos, mas não confinou olvidando quando em Março, por mor dum improvável contágio, porque recebeu em Belém um grupo de alunos duma escola de Felgueiras, mas nem o aluno nem a sua turma estiveram nessa recepção.

Marcelo fez um isolamento voluntário na sua residência particular, onde se mostrou através da janela de fato e gravata; apesar de se não ensaiar para aparecer em público de calções e t-shirt.

Dos meus três leitores, quatro dirão que tenho uma espécie de fixação por Marcelo Rebelo de Sousa. Digo-o porque eu próprio já me questionei: Que raio! Estou quase sempre a escrever correlativamente ao Presidente da República. Mas de facto está sempre a pôr-se a jeito. É verdade. Estou convencido que não é fixação minha, mas o colocar-se muitas vezes a jeito.

Gostava de concretizar um pedacinho mais. Mas se é certo que quatro dos meus três leitores não formam opinião, nem lêem profusamente, a sociedade não se dá muito ao trabalho de pensar por si e inventa semideuses à beça: o senhor Cristiano, o senhor Carreira… Inúmeras, inúmeras criaturas.

Coachings e influencers.

A sociedade diz que lê quando a Academia Sueca galardoa um Nobel da Literatura. Mas nada que faça pensar muito, cujos reflexos são exactamente não ter opinião nem ideias. Mas não há contorno possível, tanta é a prevalência que é forçada a ver e, ou ouvir à exaustão.

A prosápia do Presidente da República não o poderia deixar de estar presente num evento da envergadura onde estivesse a senhora Ursula, contradizendo-se e não atendendo ao protocolo. É o senhor Presidente que diz que se repense o Natal. Não podem estar cem pessoas, estejam setenta, cinquenta, vinte…

Estou a vê-lo “a picar-se” com as renas do Pai Natal, a ser omnipresente – coisa que lhe não é estranha, mas desta vez em vigia à casa de cada família portuguesa a contar quantos são os presentes.

O professor, em bom rigor, vem tendo vários episódios que concorrem para não se recandidatar, de acordo com o que disse aquando dos fogos de 2017.

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).
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