
Os poemas escritos navegam ao sol
Os barcos de papel encalham na lagosta
E a cerveja a copo rega uma sardinhada,
O taverneiro frita marisco e gosta.
Um sonho rasgado, um sono cortado,
Um silencio mil vezes abençoado.
Uma carta rasgada, uma folha virada
Porque senhor? Por tudo e por nada….
Uma porta fechada, uma luz esbranquiçada,
Não tenho dinheiro ponha a cerveja na conta
Oh! O custo da vida nas horas de ponta….
Um sono macio, um sol quase peregrino.
Um arfar de peito, um homem não sujeito
À burocracia. Um governante foi apagado,
Um cão escorraçado. Um penico na berma
E um lençol branco manchado e rasgado.
A poesia mastiga e o senhor castiga,
A cozinheira atrasou o banquete dos condenados
E com um grão na asa se canta uma cantiga
Numa festa de amigos e aperaltados.
Poemas navegam no mar da poesia, os pobres comem feijões
Antigamente os pobres não tinham televisão,
E tantas famílias não expressam suas afeiçoes
A família está em crise e também a nação.
José Valgode
