De que está à procura ?

Lisboa
Porto
Faro
Colunistas

Mais um Dia da Terra… mas nada há para celebrar

Cinco décadas após o primeiro “Dia da Terra” assinalado nos Estados Unidos, a humanidade, ao invés de evoluir, mais do que triplicou a extracção de recursos naturais do planeta, em actividades que só por si contribuem em 90% para a perda de biodiversidade e são responsáveis por quase metade das emissões de CO2. Estima-se que o Homem tenha impactado 83% da superfície terrestre e a Terra perdido 40% dos seus animais desde 1970. Tristes números, em pleno século XXI…

De facto, há quase 50 anos, cidadãos norte-americanos saíram para as ruas em defesa do planeta, numa data que hoje é assinalada globalmente. E há dez anos, a ONU reconheceu o dia 22 de Abril como dia da Mãe Terra, porém a humanidade carece em olhar para o globo como uma progenitora digna do nosso carinho e cuidado. Por isso, o dia é da Terra, mas somos nós, os humanos, que estamos sob foco, por negligenciarmos, por não querermos saber, por sermos responsáveis por todos os males, desde o desaparecimento de animais ao desgaste de recursos do planeta. Segundo dados divulgados pela associação ambientalista Zero a propósito da efeméride de hoje, a situação ambiental no nosso planeta tem-se alterado de forma alarmante desde 1970, ano em que o Dia da Terra começou a ser celebrado: segundo esta associação, por exemplo, 40% dos animais do nosso planeta estão dados como desaparecidos desde aquele ano.

De acordo com a Zero, o nosso planeta enfrenta “a maior taxa de extinção desde que perdemos os dinossauros há mais de 60 milhões de anos”. O motivo? Nós, os humanos e as nossas adversas actividades. “Alterações climáticas, desmatamento, perda de habitat, tráfico e caça furtiva, agricultura insustentável, poluição e uso de pesticidas”, são algumas das causas humanas para a diminuição da biodiversidade apontadas pela associação, que faz o apelo para que o Dia da Terra deste ano seja celebrado a pensar na protecção das espécies.

Mas, infelizmente, não ficamos apenas por aqui. Ainda, segundo a Zero, temos outro tipo de impacto no planeta: 40% dos animais marinhos também desapareceram e as populações de insectos e de animais de água doce diminuíram 75%. E acresce-se o facto de 40% das 1,1 milhões de espécies de aves do mundo estarem em declínio. Tudo isto desde 1970. Uma triste estatística que é ainda concretizada com um outro número fatídico: estima-se que os seres humanos tenham impactado 83% da superfície terrestre, desde ecossistemas a espécies de animais.

A Zero também se debruçou particularmente sobre para Portugal e defende que o país tem um “conhecimento insuficiente dos seus valores naturais” e que existe “uma política pública sem objectivos estabelecidos para a conservação das espécies”, continuando com legislação por publicar nesta área.

É, por isso, necessário e imperioso educar e sensibilizar para a taxa acelerada de extinção de milhões de espécies e as causas e consequências desse fenómeno. Entre alguns alertas, a Zero defende que é preciso “alcançar grandes vitórias políticas que protejam grandes grupos de espécies, bem como espécies individuais e os seus habitats” e também “construir e participar num movimento global que abrace a natureza e seus valores”. E outra das ideias defendidas pela associação é a de “incentivar acções individuais, como a adopção de dieta baseada em vegetais e a interrupção do uso de pesticidas e herbicidas”.

“Se não agirmos agora, a extinção pode ser o legado mais duradouro da humanidade”, considera a Zero. Uma chamada de atenção alarmante e preocupante que temos de reter…