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Maioria dos trabalhadores de sexo trans portugueses estão emigrados

Os Trabalhadores de Sexo Trans (TST) são migrantes por opção, trabalham fora do país para preservar a identidade e a família e para ganhar mais dinheiro, disse à Lusa Fernanda Belizário, da Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES).

Na véspera da apresentação, no Porto, das conclusões do projeto TransR – Trans Sex Workers Rights are Human Rights (Os Direitos do Trabalhadores do Sexo são Direitos Humanos), cofinanciado pela União Europeia no âmbito do Programa Direitos, Igualdade e Cidadania, a Lusa falou com a coordenadora do projeto que reúne mais quatro países.

Sob a coordenação da APDES, estiveram também envolvidos no projeto a Hetaira (Espanha), Lefö (Áustria), MIT (Itália) e Positive Voice (Grécia), informou a responsável.

E de um trabalho começou no início de 2017 e estará concluído no final deste mês e que “visou contribuir para o reconhecimento e proteção dos direitos fundamentais das pessoas TST”, Fernanda Belizário fez a radiografia de uma comunidade que “cuja série de especificidades que possui lhe causa vulnerabilidades no acesso à saúde e ao processo migratório”.

“A maior parte desta população é migrante, sejam fora da Comunidade Europeia ou dentro dos países”, explicou a coordenadora.

“Os portugueses TST normalmente vão trabalhar para o estrangeiro, o que gera a impressão, cá, que é um trabalho essencialmente migrante, dessa forma preservando o anonimato, a família, além de aproveitarem o facto de possuírem passaporte europeu e poderem ganhar mais dinheiro noutro país”, disse.

Enfatizando que “hoje em dia 80% do trabalho sexual na Europa é feito dentro de casa”, informou que “a população que se estabelece em Portugal para trabalhar é muito móvel”, num circuito que a faz “a cada duas semanas mudar de cidade ou de país”.

“Estão sempre em circulação porque possuem uma rede de contactos dentro e fora do país muito grande”, acrescentou, vincando “ser simples sair de Portugal e conseguir um contacto noutro lugar e estabelecer-se numa casa ou num apartamento para fazer o seu trabalho e depois voltar”.

Dentro das conclusões do projeto TransR, mencionou, a “maior questão continua a ser os espaços de representação”, reclamando a necessidade de que “mais TST estejam nas organizações a elas associadas e que têm trabalho no terreno, e que a legitimidade da sua voz seja apoiada”.

Segundo Fernanda Belizário, “a APDES, tal como as outras organizações, entende o trabalho sexual como um serviço prestado sob um contrato estabelecido, em locais com condições para o fazer e que é feito de forma voluntária”.

“E é só disto que falamos. Não queremos legitimar nenhuma outra forma”, sustentou a coordenadora do projeto.

O evento que decorrerá quinta-feira na Junta de Freguesia do Bonfim pretende ainda ser de formação para jornalistas, profissionais de saúde, forças de segurança, organizações de intervenção e Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros (LGBT) por a organização entender serem “públicos que carecem de formação específica sobre a comunidade trans”.