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Madrigal

os teus seios
serrania polposa, exuberante
esse milagre da música da carne
essa proeza geológica
esse sagrado meloal
– não me peças para precisar, amor

os teus seios
esse detalhe anatómico
que o uivo do meu sangue atiça
e de palpáveis desejos contamina

os teus seios
polifonia de açucenas nas cúpulas
dos meus olhos
incessante espasmo de borboleta
nas lezírias do meu pasmo pensamento

os teus seios, amor
eucaristia nos claustros da poesia
parelha de cisnes solares no arraial
lúbrico das minhas mãos

dm