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Luso-canadiana considera que eleitores estão “cansados da política”

A politóloga Ana Cristina Marques considera que as eleições de segunda-feira no Canadá são as mais intensas desde os anos 1980, com os dois principais partidos, Liberal e Conservador, a terem um empate técnico nas várias sondagens.

“Foi das campanhas mais interessantes federais que temos tido nas últimas décadas. Sou uma viciada em política, gosto de sentir que há intensidade durante todo este período”, afirmou Ana Cristina Marques, a viver no Canadá desde 1969, quando tinha 11 anos.

Formada em estudos feministas pela Universidade de York (norte de Toronto), Ana Cristina Marques costuma colaborar com diversos candidatos lusodescendentes.

O Canadá vai a eleições federais esta segunda-feira, elegendo 338 deputados, sendo que para uma maioria parlamentar um partido terá de eleger pelo menos 170.

No dia em que os partidos terminam a campanha eleitoral (40 dias), a politóloga lamenta que os eleitores estejam “cansados da política nos dias de hoje” e o Canadá “não é exceção”.

“Temos o exemplo de Portugal que se verificou uma taxa de abstenção recorde nas últimas legislativas (51,43%). Ainda há pessoas que dizem que estão indecisas. Será que é apatia?” – questionou.

Só quando as urnas fecharem é que saberá o vencedor das eleições, liberais (centro-esquerda) ou conservadores (centro direita), já que as sondagens apontam para que nenhum obtenha maioria absoluta, obrigando a acordos parlamentares.

No entanto, o NDP (esquerda), a atual terceira maior força política, através do seu líder Jagmet Singh, já manifestou sinais que quer uma coligação com Justin Trudeau, muito próxima ao modelo português.

“A coligação deverá funcionar com acordos para diversas políticas como a reforma eleitoral, um plano nacional de comparticipação de medicamentos, e o meio ambiente. Mas tudo depende do número de assentos no parlamento”, explicou Ana Cristina Marques.

No atual sistema eleitoral canadiano, o partido que obtiver mais votos pode não eleger o maior número de deputados, visto que o Ontário e o Quebeque têm o maior número de distritos eleitorais.

A possível coligação “só deverá ser possível entre o NDP, os Verdes e os Liberais”.

“Não vejo um parceiro político para os conservadores (liderados por Andrew Scheer). Não acredito que vão fazer uma parceria com o Bloco do Quebeque porque é um partido separatista”, sublinhou.

Caso os liberais conquistem pelo menos 140 distritos eleitorais a luso-canadiana acredita que o partido “irá solicitar à Governadora Geral Julia Payette a formação de governo”.

Ana Cristina Marques faz ainda o apelo aos portugueses no Canadá que se “envolvam mais politicamente e que não estejam ausentes das urnas”.

“É muito importante participar civicamente no país onde pagamos impostos. Não podes criticar o governo que está no poder se não foste votar. Mas o mais importante não é votar neste ou naquele partido, mas sim participar”, concluiu.

Numa sondagem efetuada pela Ipsos, entre 04 a 07 de outubro a 2.562 canadianos, os temas mais importantes na campanha de 40 dias que terminou ontem foram saúde (32%), mudanças climáticas (29%) e custo de vida (26%) e impostos (26).

Em 2015, Justin Trudeau conseguiu 184 lugares no parlamento – que lhe garantiram uma maioria parlamentar.

São vários os candidatos de origem portuguesa nos vários partidos, com os dois deputados Peter Fonseca (Mississauga East – Cooksville) e Alexandra Mendes (Brossard-Saint-Lambert, Montreal), a tentarem a sua reeleição.

A última projeção do site especializado em sondagens 338canada.com, aponta para a vitória no voto popular com 31,6% para os conservadores, seguidos dos liberais (31,3%), NDP (18,3%), Verdes (8,1%) e Bloco do Quebeque (7,1%).

No entanto na projeção de assentos parlamentares, os liberais estão à frente com 136 lugares, os conservadores com 123, o NDP com 37 e o Bloco do Quebeque com 36.