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LOMA: Marca portuguesa criada em Berlim quer redefinir o conceito de “casa”

© LOMA

Em Berlim, longe de Portugal, cinco amigos começaram a recriar aquilo de que mais sentiam falta: a “sensação de casa”. Entre jantares demorados, conversas que atravessavam a noite e uma certa nostalgia partilhada, nasceu a LOMA – uma marca que transforma memórias e rituais quotidianos em objetos pensados para ficar.

Mais do que uma questão estética, há uma ideia que atravessa tudo: casa não é um lugar fixo. Pode ser uma mesa cheia, uma frase dita entre amigos ou um detalhe que nos faz parar. O BOM DIA falou com os fundadores Maria Miguel Rodrigues, Melissa Gómez, Victoria Panzetti, Marcos Pereira e Ivan Almeida sobre emigração, origem, identidade e o que significa, hoje, estar em casa longe de casa.

Como nasceu a ideia do projeto LOMA?

A LOMA nasceu de forma muito orgânica, entre cinco amigos a viver em Berlim, unidos por uma saudade comum: recriar o sentimento de casa longe de Portugal. Tudo começou à volta da mesa, em jantares que se prolongavam pela noite, onde partilhávamos comida, histórias e rotinas familiares. Com o tempo, percebemos que esse sentimento – de conforto e pertença – era algo que queríamos preservar, independentemente de onde estivéssemos. A LOMA surge assim como uma forma de materializar essa sensação: trazer “casa” para o quotidiano, através de objetos simples e feitos com intenção. Mais do que uma marca, é uma extensão dessas experiências.

O que significa hoje a palavra “casa” para vocês?

Hoje, casa deixou de ser um lugar fixo. É algo mais fluido, que se constrói nas pessoas com quem estamos, nos rituais que mantemos e nos momentos que criamos. Viver fora de Portugal fez-nos perceber que o sentimento de casa pode existir em qualquer lugar – desde que haja ligação, presença e partilha. Pode ser uma mesa improvisada, um jantar entre amigos ou um gesto familiar. A LOMA nasce exatamente dessa redefinição: casa como um sentimento, não como uma geografia. Algo que levamos connosco e recriamos todos os dias, juntos.

De que forma Portugal influencia a LOMA?

Quatro elementos da equipa são portugueses e um é brasileiro, mas todos partilhamos uma ligação muito forte à ideia de casa enquanto espaço de encontro. Para nós, a identidade portuguesa está profundamente enraizada na partilha, na proximidade e nos momentos vividos em conjunto.

Crescemos com a casa como ponto central – um lugar onde se tomam decisões, se contam histórias e se criam memórias. Seja na cozinha a experimentar receitas ou em jantares longos com amigos e família, são esses momentos que definem a nossa forma de estar. Essa herança cultural influencia diretamente a LOMA: na forma como pensamos os produtos, na importância que damos aos rituais e na intenção de criar peças que promovam ligação, presença e simplicidade.

Criar um projeto ligado a Portugal a partir do estrangeiro traz desafios. Como tem sido este processo?

Tem sido uma experiência muito desafiante, mas igualmente enriquecedora. Criar uma marca de raiz num país que não é o nosso implica lidar com uma burocracia complexa, compreender sistemas legais diferentes e garantir que tudo está em conformidade. Ao mesmo tempo, tem sido uma oportunidade de crescimento enorme. Obriga-nos a sair da zona de conforto, a aprender constantemente e a desenvolver um projeto próprio num contexto internacional.

Estar em Berlim também nos coloca em contacto com uma comunidade criativa e empreendedora muito diversa, o que nos inspira e nos dá perspetiva. Há um equilíbrio entre a exigência do processo e a liberdade de construir algo nosso.

LOMA

Muitos dos produtos remetem para elementos da cultura portuguesa. Qual a inspiração por trás desta estética?

A inspiração vem, acima de tudo, da nossa própria experiência enquanto grupo. A nossa amizade cresceu muito em torno de momentos simples: jantares em casa, partilha de receitas, noites a conversar ou a ver um filme. Foi nesses contextos que percebemos o peso emocional que a casa tem nas nossas vidas.

Elementos como os azulejos ou a mesa não são apenas referências estéticas, são símbolos de memória, identidade e pertença. A LOMA procura traduzir esses pequenos momentos do quotidiano em objetos que os celebrem. A estética surge como consequência dessas vivências: honesta, simples e carregada de significado.

Qual é o produto que melhor representa a LOMA e qual o mais vendido?

Desde os aventais de cozinha, com bolsos inspirados na forma dos azulejos, até às cestas do pão e bases para copos, cada peça é pensada para elevar os rituais quotidianos. Os guardanapos com frases bordadas acabam por traduzir especialmente bem esse espírito. Frases como “Come for the food, stay for the drama” ou “What’s the gossip? Read between the wines” surgem de forma muito natural, quase como extensões das conversas e dinâmicas que fazem parte desses momentos. São detalhes que transformam algo simples em algo memorável.

Para nós, uma refeição é um momento quase sagrado – um espaço de partilha e conexão, onde histórias são contadas, memórias são revisitadas e novos planos começam a ganhar forma. É precisamente nesses rituais que encontramos significado, e é isso que procuramos refletir em cada peça.

Em termos de aceitação, os guardanapos têm sido dos produtos mais procurados. As pessoas identificam-se com este lado mais descontraído e próximo da marca. Para além disso, os individuais de mesa em algodão também têm tido bastante procura, pela sua combinação de funcionalidade, simplicidade e produção consciente.

Quem são as pessoas que mais se identificam com a LOMA?

Apesar de termos criado a LOMA muito ligados à nossa experiência enquanto emigrantes, o público tem sido bastante diverso. Desde o início, temos atraído sobretudo alemães e pessoas de várias nacionalidades com interesse em marcas independentes, diferenciadas e com produção consciente.

Naturalmente, há também uma ligação forte com a comunidade portuguesa fora de Portugal, mas diríamos que a LOMA acaba por ressoar com todos aqueles que valorizam a ideia de casa, de partilha e de autenticidade, independentemente da sua origem.

LOMA

Quais são as ambições para o futuro do projeto?

Começámos por testar a LOMA em mercados locais, como o de Kollwitzplatz (em Prenzlauer Berg), que nos permitiram ter um contacto direto com as pessoas e perceber como os produtos eram recebidos. O próximo passo é o lançamento do website, inicialmente com vendas para a Alemanha e Portugal. A partir daí, queremos expandir para o resto da Europa.

No futuro, gostávamos também de reforçar a nossa presença física, seja através de mercados ou eventualmente em ‘concept stores’ em Berlim, sempre mantendo uma ligação próxima com a comunidade.

Texto: Fabiana Bravo

Imagens: LOMA

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