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Língua alemã mantém-se difícil para alunos portugueses no Luxemburgo

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Após investigação sobre o aproveitamento escolar durante a pandemia, o Ministério da Educação conclui que o ensinamento de alemão é a competência mais difícil de apurar.

O ensino à distância provocou uma lacuna na aprendizagem de algumas matérias aos alunos no Luxemburgo. a conclusão foi retirada do estudo “Qual o impacto da pandemia da covid-19 no sistema educativo?”, apresentado pelo Ministério da Educação.

O objetivo foi perceber até que ponto o enclausuramento das crianças e jovens durante a pandemia os prejudicou nas aprendizagens. Foi dado maior destaque às disciplinas de francês, alemão e matemática, como avança o Contacto.

No geral, e depois de comparar com a primeira etapa da pandemia, o estudo “não identificou uma tendência negativa sistemática que indicasse uma deterioração das competências escolares entre os alunos”, lê-se na investigação. Ainda assim, o alemão foi a disciplina com mais dificuldade em reter conhecimentos.

A lacuna na língua alemã observa-se sobretudo em jovens provenientes de famílias mais desfavorecidas, e de portugueses e franceses, que não falam luxemburguês em casa.

“De modo geral, para o desenvolvimento de competências no sistema escolar luxemburguês o nível socioeconómico das famílias e alunos é o principal fator de proteção se é elevado, mas também é o principal fator de risco se esse nível é baixo”, demonstra Antoine Fischbach, autor do estudo e diretor do Luxembourg Centre for Educational Testing (LUCET).

Apesar de a língua-mãe ter influência, não é o principal fator de desequilíbrio. “Em termos estatísticos, em média, um aluno luxemburguês oriundo de uma família mais desfavorecida possui maiores dificuldades no sistema escolar do que um aluno português, de uma classe socioeconómica mais elevada”, explica o investigador.

O responsável do LUCET realça também que a maioria dos alunos já não fala obrigatoriamente as três línguas lecionadas na escola, de origem. “Para dois terços dos novos alunos escolarizados, as línguas do nosso sistema escolar, o luxemburguês, alemão e francês são línguas estrangeiras, nenhuma delas é o seu idioma materno, o que constitui uma dificuldade maior”, realça o coordenador.

Para além da promoção da compreensão oral do alemão ser ainda mais diferenciada, Antoine Fischbach deixa outras recomendações. “Uma atenção particular deve ser dada aos alunos considerados já em risco no sistema escolar” antes da covid-19, pois eles “parecem ter sido os mais afetados pela pandemia ao nível escolar”, sobretudo os alunos de classes mais desfavorecidas que não falam nenhuma das três línguas de ensino em casa, como os portugueses.

O estudo sobre o impacto da pandemia no sistema escolar do Luxemburgo foi baseado em dados representativos de cerca de 23 mil alunos do ensino básico e secundário, e de 15 mil pais ou encarregados de educação do ensino básico. Estes dados foram recolhidos através do modelo de “Épreuves Standardisées” (ÉpStan), realizados todos os anos nas escolas, e relativos ao ano escolar de 2020/2021, e foram ainda comparados com os obtidos através do mesmo modelo junto de 183 mil alunos do básico e secundário dos anos anteriores, de 2014 a 2021, como referido pelo Contacto.

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