A escritora Lídia Jorge, considerada uma das vozes mais consagradas da literatura portuguesa contemporânea, é a vencedora da edição deste ano do Prémio Pessoa. Com 79 anos, a autora assina romances, contos, ensaios, poesia e crónicas.
Escrever sobre a mulher, a guerra colonial e a memória histórica, com obras como “O Dia dos Prodígios”, “A Costa dos Murmúrios e Misericórdia”, valeu a Lídia Jorge vários prémios em Portugal e no estrangeiro.
De acordo com a SIC Notícias, a autora ocupa um lugar de destaque na ficção portuguesa contemporânea e as suas obras estão traduzidas em países como França, Alemanha, Holanda, Itália e Estados Unidos.
“A sua escrita criativa e diversificada tem sido capaz de revelar o poder da literatura para nos ajudar a compreender os grandes desafios do mundo contemporâneo e a sua intervenção cívica corajosa tem contribuído decisivamente para enriquecer o debate democrático na sociedade portuguesa”, realça o júri do Prémio Pessoa 2025.
Distinguida com inúmeros prémios e distinções, ainda esta quarta-feira, na ilha de São Miguel, Lídia Jorge recebeu o título de doutora ‘honoris causa’ em Literatura pela Universidade dos Açores. A escritora defendeu que a literatura e a filosofia continuam a ser “pilares do conhecimento e da busca da verdade essencial”.
Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, no Algarve, e frequentou o Liceu Nacional de Faro, onde começou a despertar para a literatura e para o teatro. Mais tarde mudou-se para a capital portuguesa e licenciou-se em Filologia Românica. Foi professora em vários pontos do país, em Angola e Moçambique e viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. A passagem pelo continente africano foi um dos grandes contributos para a sua criação literária.
Nos anos 90 deu aulas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi também membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e fez parte do Conselho Geral da Universidade do Algarve. Em 2021, foi nomeada pelo Presidente da República para o Conselho de Estado.
A convite de Marcelo Rebelo de Sousa, a escritora presidiu à comissão organizadora das comemorações do 10 de Junho deste ano. Lídia Jorge propõe que a região algarvia, de onde é natural, seja o ponto de partida para revisitar a História de Portugal e alerta para o desafio atual da imigração. Na opinião da escritora, a palavra é fundamental para compreender o passado e construir a paz.