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Liberdade (com respeito e responsabilidade) de expressão

Aos meus amigos e às minhas amigas que só me conhecem do Instagram, do Face, do Linkedin, dos jornais e revistas que publicam meus textos, amigas e amigos que já encontrei pelas ruas de Nova Era (MG) e de outras cidades brasileiras, aos meus parentes bolsonaristas, a quem dizia gostar da minha poesia e agora, por ideologia política mudou de ideia, eu nunca discriminei nem deletei das minhas redes alguém que pensa diferente de mim, alguém que tem cor, religião, posição econômica ou social etc diversa da minha.

Por mais que eu não concorde com a opinião de outra pessoa sobre determinado assunto, eu a respeito e não me torno seu inimigo, atacando-a física ou verbalmente. Eu tenho prazer de dialogar com uma pessoa que pensa diferente de mim pra aprender com ela e me enriquecer, e de repente até perceber que eu estava errado e mudar. Quem não suporta ler o que escrevo é livre pra me deletar. Se meus textos longos lhe cansam, problema seu: além de poesias, eu amo escrever textos mais longos, crônicas, contos, artigos de opinião, prefácios. Se você não gosta de ler, outras pessoas gostam. Escrevo pra quem quer e gosta de ler. Mas pode opinar sim, que as críticas contrárias me interessam quando contribuem pra aprimorar a minha escrita. Se não agredir a minha liberdade de expressão nos seus comentários, fique à vontade. Pode deletar-me também da sua “amizade”, caso queira. Assim me poupa de algo que não costumo fazer. Eu não guardo rancor, não sou vingativo. 

 Por exemplo, eu nunca atacaria alguém como os que me disseram neste três últimos dias que concordam com as arruaças que muitos brasileiros e muitas brasileiras bolsonaristas (digo muitos e muitas, mas não são a maioria, porque tenho amigos, amigas e parentes bolsonaristas que sabem conversar e defender seus pontos de vista civilizadamente) estão fazendo país afora contestando a vitória do Lula, fechando as estradas e impedindo o trabalho de milhares de pessoas, provocando o desabastecimento de supermercados e postos de combustíveis, atrasando as ambulâncias e causando a morte de quem não consegue chegar aos hospitais, alegando sem provas – como o Bolsonaro alegou mesmo quando foi eleito em 2018, que houve fraude, e pedindo inclusive o absurdo da intervenção militar. Eu nunca concordaria com este tipo de manifestação, e tenho o direito de discordar. Discordo completamente destes movimentos antidemocráticos,  antissociais e criminosos em favor do Bolsonaro, como discordaria com o mesmo fervor se fossem os eleitores do Lula que estivessem revoltados e fechando as ruas, caso o Bolsonaro tivesse vencido as eleições. 

Mas fato semelhante nunca ocorreu no Brasil, nem nas tantas vezes em que o Lula disputou e perdeu as eleições, nem quando qualquer outro candidato foi derrotado.

E as acusações do populacho contra o Lula não se sustentam. São baseadas em achismo, fanatismo religioso e adoração por um falso líder de carne e osso. Você por acaso viu o Lula roubando? Viu e leu as provas e documentos de acusação? Participou de algum corpo de jurados que proferiu a acusação? Esteve presente em todo o processo do julgamento? Porque você acredita que ele é culpado e não acredita nas provadas manipulações do Moro e de outros políticos para incriminar o Lula? Baseado em quê você, como cidadão ou cidadã comum e que às vezes nem lê as notícias e quando lê não tem inteligência e discernimento suficientes para interpretá-las corretamente, se considera capaz de julgá-lo e condená-lo? E quanto ao Bolsonaro, se você finge  que não viu e não ouviu tudo o que ele disse e fez de errado durante todo o mandato, continuará a defendê-lo com unhas e dentes mesmo se ele for julgado,  condenado e preso? 

Tudo isso que você faz agora é em defesa da fé religiosa e da família, a falsa fé e o podre modelo de família do Bolsonaro, e certamente a sua doentia fé e o seu igualmente podre ambiente familiar.

E você tem o direito de discordar de mim, de falar, de queimar os meus livros que comprou ou ganhou, de não ler mais o que escrevo. Se está decepcionado ou decepcionada comigo, é tudo muito simples: não perca o seu tempo lendo o que escrevo se meus textos não lhe agradam. E, se quiser, finja que não me viu, retorne correndo, mude de calçada, fuja de mim ao me ver nas ruas.

Mas, reitero, não havendo ataques à minha liberdade, estou à disposição para conversar, concordar, discordar, sem cerrar os punhos, sem gritar, sem cuspir, sem acusar, sem ameaçar, como o Bolsonaro fez ainda antes de ser eleito lá em 2018 e eu vi, você viu, o Brasil inteiro viu e ainda assim milhões que votaram nele continuaram durante 4 anos fingindo que não viram e não ouviram nada das atrocidades e dos absurdos que ele continuou falando e fazendo todos os dias.

Remisson Aniceto

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