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Lamentável a extinção do Observatório da Emigração

É lamentável a decisão tomada pelo Governo, poucos dias depois das eleições de 4 de Outubro mas só agora conhecida, de acabar com o Observatório da Emigração, que na prática é a consequência da denuncia do protocolo entre a Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa. Tanto mais porque o faz como um ato de vingança e retaliação, na medida em que O Relatório da Emigração de 2014, que contém dados que não abonam em nada a favor das políticas do Governo da coligação, deveria supostamente ser guardado para divulgação apenas após as eleições, não obstante ser habitualmente divulgado antes do Verão.

Retirar o financiamento àquela que era praticamente a única instituição com conhecimentos na área da emigração é um golpe muito duro desferido por razões mesquinhas e que revelam opacidade no exercício da governação. O Governo demonstra assim que convive mal com a verdade e com a realidade, preferindo matar o mensageiro a que perpasse a ideia dos efeitos brutais que causaram as políticas de austeridade e a desvalorização do trabalho e dos rendimentos, que geraram uma emigração apenas comparável aos piores anos das décadas de sessenta e de setenta.

Decapitar o Observatório da Emigração é não apenas calar uma instituição com trabalho feito, provas dadas e uma larga experiência, mas também fechar a porta a um conhecimento sobre as comunidades portuguesas fundamental para melhor definir as políticas que vão ao encontro das suas necessidades e expetativas

É inaceitável que o Governo tenha pretendido esconder a informação da opinião pública constante do relatório por revelar os elevados fluxos migratórios, superiores a 110 mil saídas por ano, o que revela uma atitude mesquinha, sancionando agora quem apenas se limita a fazer o seu trabalho e a apresentar os resultados

Esta decisão é o golpe de misericórdia num organismo que sempre foi alvo de desconfiança por parte do Governo, o que se comprova com o facto de, pouco depois de ter tomado posse, logo ter manifestado a intenção de extinguir o Observatório, acabando por cortar em 2012 cerca de 80 por cento do seu financiamento.

O Observatório é um organismo fundamental para o conhecimento e avaliação dos diversos aspetos relacionados com a emigração portuguesa e da situação das vastas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

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