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Kombucha, um superalimento milenar. O que é e para que serve?

As bebidas fermentadas têm vindo a ganhar cada vez mais espaço nas nossas cozinhas. O kefir, por exemplo, popularizou-se, e hoje é muito apreciado por quem procura uma alimentação mais saudável à base de lácteos. Mas já ouviram falar da kombucha? Já ficaram parados num supermercado “Celeiro”, por exemplo, a olhar para certas garrafas desconhecidas? Por isso, certamente, já se terão questionado: ”o que é a kombucha e para que serve?”

Conhecida pelas suas propriedades medicinais, esta é uma bebida consumida na China há milénios e é óptima para regenerar a flora intestinal. E atentem que esse não é o seu único benefício…

Antes de mais, é preciso lembrar que por se tratar de uma bebida probiótica, nela encontram-se lactobacilos vivos, micro-organismos essenciais para o bom funcionamento do intestino. Eles actuam diretamente na flora intestinal, ajudando a evitar problemas como diarreia e prisão de ventre. A grande questão é que os probióticos, em geral, são encontrados sobretudo no leite, porém não é o caso da kombucha, e por isso esta bebida também é indicada para quem possui intolerância à lactose.

Outra grande vantagem desta bebida é a de que ela é desintoxicante, podendo fazer parte do cardápio de quem esteja em modo detox. Além disso, é rica em vitaminas C, K e do complexo B. Tal significa que é antioxidante, combatendo os radicais livres e deixando o sistema imunológico mais forte e menos suscetível a doenças. Os seus micro-organismos também ajudam a acabar com a bactéria H. pylori, que é uma das grandes causadoras da gastrite. Portanto, o seu consumo também alivia dores abdominais.

Mas o que é, realmente? Trata-se de uma bebida fermentada, cuja mistura resulta em kombucha com a ajuda de uma colónia de bactérias e leveduras, que se assemelham a um cogumelo a flutuar no líquido resultante. É este processo de fermentação das tais bactérias e leveduras que separa a kombucha de outras bebidas. Este processo de fermentação faz com que a kombucha esteja repleta de probióticos, bem como as vitaminas mencionadas e enzimas, e ajuda a desinchar o corpo, o que é sempre bom! Além disso, por ser feito com chá, a Kombucha tem outros benefícios associados. Os chás verdes, por exemplo, têm polifenóis que atuam como antioxidantes no organismo. Portanto, além da disposição, beber Kombucha dá energia, resultado da combinação do ferro, produzido na fermentação, e da teína, a cafeína dos chás. A bebida ainda tem glucosamina, substância que evita a perda de colagénio, o que ajuda nas articulações e na prevenção de rugas. Só vantagens, portanto.

Se optarem pela versão caseira, a preparação da kombucha é muito simples e pode ser facilmente feita em casa. Ao invés de leite, como já referi, esta bebida tem na sua base o chá. Os chás que podem ser usados são o chá-mate, o chá verde ou o preto. Tentem evitar infusões, pois não contêm cafeína alguma.

O ingrediente principal é a colónia de kombucha, chamada de scoby (um scoby é uma cultura mista sinérgica de leveduras e bactérias; no original é a sigla para Symbiotic Culture Of Bacteria and Yeast) e 100 ml do líquido que já vem com ela, quando a mesma nos é passada por alguém. Isto porque existe o hábito de doação de scobys entre os entusiastas dos alimentos probióticos. Tal também ocorre porque o scoby reproduz-se muito rápida e facilmente – basicamente sempre que houver o processo de fermentação da kombucha, haverá a formação de um novo scoby.

O tal scoby, também conhecido como kombucha mãe, cogumelo de kombucha ou cogumelo mãe (devido à sua aparência de disco gelatinoso) é o responsável por promover a fermentação com base no açúcar presente no chá. Por exemplo, tendo em conta 1 litro do chá da sua preferência (um litro de água fervida com cerca de 5 saquetas de chá). O primeiro passo é preparar o chá e adoçar, pois para além da cafeína do chá, o açúcar também é importante para os scoby. E não se preocupem, pois a bebida que irá surgir é ácida e gaseificada, nada doce. De seguida, junte a colónia de scoby e os 100 ml do líquido que vem juntamente com ela. Depois, há-que aguardar pelo processo de fermentação que pode durar entre uma semana a 15 dias. Para isso, a bebida tem de ser guardada em frascos de vidro, previamente bem limpos, e tapada com um pano ou papel de cozinha com um elástico ao seu redor que o prendam, de modo a evitar que entrem insetos e permitindo que o líquido “respire” num local arejado e escuro, longe da incidência da luz directa.

Após o período necessário, já mencionado, a maior parte da bebida resultante deve ser retirada e passada por um pano para reter as impurezas. A fermentação está pronta e poderá consumir essa parte que retirou. A outra, uns tais 100 ml, deverá regressar com a colónia para o frasco, com novo chá açucarado, repetindo o processo.

Portanto, o que se retirou, depois de colocado em garrafas que podem ser de plástico, aproveitadas das águas de 1,5 litros, por exemplo, deve passar por uma segunda fermentação, bem mais reduzida – entre um a dois dias – já com ingredientes adicionados, pois não é necessário beber a kombucha por si só. Pode acrescentar frutas, gengibre, canela ou outros chás, de acordo com o seu gosto pessoal. Depois, pode deixar no frigorífico a gosto e consumir normalmente.

A bebida resultante fermentada tem sido associada a melhores níveis de energia, por dois motivos. Devido ao ferro, que resulta da fermentação, e que melhora o transporte de oxigénio no sangue, e pela presença da teína, que é o equivalente da cafeína, presente no chá. Por este motivo, é também essencial moderar o consumo da kombucha — um a dois copos por dia são a recomendação dos especialistas.

Agora, já podem fazer como Meghan Markle, Kourtney Kardashian, Justin Bieber, Gwyneth Paltrow e Madonna e, tal como estas celebridades, renderem-se à bebida do momento: a Kombucha. Se quiserem, eu posso atribuir alguns scobys…

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