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Jovens autarcas portugueses em Bucareste para debater a UE

Temas como o Brexit, a participação de mulheres na política ou a abstenção nas eleições estão a marcar o debate da comitiva de autarcas jovens de todos os Estados-membro da União Europeia (UE) reunida em Bucareste, na Roménia.

Carlota Borges, 28 anos, é vereadora da Coesão Social, Juventude, Voluntariado e Serviços Urbanos da Câmara de Viana do Castelo, e Pedro Brás, 36 anos, vai no segundo mandato à frente da União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, concelho de Sintra, no distrito de Lisboa

São a ‘dupla’ de autarcas jovens portugueses presente na 8.ª Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, num total de cerca de uma centena de políticos de várias regiões e nacionalidades que tem menos de 40 anos e se reuniu para debater o futuro da UE.

“Esta é uma oportunidade de debater temas atuais e temas futuros. Os jovens têm maneiras diferentes de se pronunciar. E nós, políticos, temos que tentar sair da nossa caixa de formato tradicional e tentarmo-nos aproximar mais dos jovens e dessas ideias”, descreveu Pedro Brás.

Carlota Borges partilha da opinião, mas vinca que “os jovens mais interessados na política são melhor informados”, defendendo a importância de envolver todas as gerações na discussão da UE porque, afirmou, “os jovens serão o grande futuro desta Europa”.

A autarca do Alto Minho, que disse priorizar no projeto europeu “uma agenda social forte” para “promover uma verdadeira coesão social”, admitiu que em Portugal a abstenção jovem às eleições europeias tem sido elevada, voltando, de forma a combater esses dados, a frisar a importância da informação.

“Acho que quando as pessoas estão informadas percebem realmente a grande importância da Europa e que tendem a ir votar. Portanto passa por nós, Câmaras Municipais, poder local, informar, ir às escolas e informar. Informar, por exemplo, que os meninos só têm uma escola com grandes condições graças a fundos da UE”, exemplificou.

Já Pedro Brás contou que o Brexit e a presença de mulheres na política também estão a marcar o debate, admitindo que a saída do Reino Unido da UE está a gerar “grande preocupação”, mas preferindo realçar que Portugal está a ser citado por boas práticas no que diz respeito à representatividade feminina na vida pública.

“Apenas 15% das mulheres estão em cargos de decisão na Europa. Nesse aspeto, nós enquanto país, Portugal, estamos mais à frente. Temos matérias de igualdade de género definidas e em curso”, disse.

Carlota Borges, igualmente orgulhosa e otimista do caminho português feito nesta matéria, lembrou, no entanto, que existiu “um ponto em que foi necessário impor a presença das mulheres na política” através da atribuição de cotas.

“Foi necessário impor tanto na política como em outros setores, mas Portugal está no bom caminho e, em termos de política, temos cada vez políticas e jovens políticas mais fortes e temos os partidos sem dúvida a apostar nas mulheres”, considerou a vereadora minhota.

Por fim, questionado sobre se em Portugal existe uma identidade europeia, Pedro Brás, autarca de Massamá/Monte Abraão, freguesias com cerca de 49 mil habitantes, lembrou o passado de Portugal no alargamento de fronteiras para responder afirmativamente.

“Somos, desde sempre, um país que procura novos desafios. Nós encontramos portugueses em todo o lado e, desse ponto de vista, os jovens portugueses cada vez mais têm esse sentimento de que Portugal não se restringe às suas fronteiras, Portugal é um pouco mais além do que isso”, analisou.

Pedro Brás e Carlota Borges integram a delegação portuguesa presente na 8.ª Cimeira Europeia das Regiões e dos Municípios, uma iniciativa que acontece de dois em dois anos e que neste é coorganizada pelo Comité das Regiões Europeu, pela presidência romena do Conselho da UE e por associações romenas de órgãos de poder local e regional.

O objetivo do encontro é garantir que os órgãos de poder local e regional contribuem plenamente para os debates mais relevantes na UE.

O Comité das Regiões Europeu, criado em 1994 na sequência da assinatura do Tratado de Maastricht, é a assembleia da UE dos representantes regionais e locais dos 28 Estados-membros, sendo atualmente composto por 350 membros efetivos, 12 deles portugueses.