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Jihadista português tentava juntar crianças à célula terrorista

O jihadista açoriano que viveu em França Fábio Almeida aliciou crianças para se juntar à sua célula terrorista, entre a família da namorada e através do WhatsApp. Fábio fazia parte do autoproclamado Estado Islâmico.

Fábio Almeida, de 33 anos, nasceu na ilha Terceira, nos Açores e está atualmente a ser julgado na Audiência Nacional, em Madrid, acusado de incentivo ao terrorismo. E pode vir a ser condenado a dez anos de prisão, juntamente com outros dois membros do grupo que operava entre Espanha, França e Marrocos.

O homem fotografava e filmava a filha de 4 anos com um véu islâmico negro enquanto fazia pose em frente a uma bandeira da Al Qaeda exposta na sala do apartamento onde viviam, nos arredores da capital francesa, Paris, avança o jornal Expresso, citando os dados da acusação do Ministério Público espanhol.

Mas a célula jihadista criada em 2014 por estes quatro suspeitos procurava recrutar para a Jihad crianças e jovens do sexo feminino, dos 12 aos 16 anos, através de três grupos de WhatsApp chamados “Ansar Al Islam”. Embora também houvesse mulheres mais velhas entre os cem membros. Algumas terão mesmo partido para o Daesh.

O irmão de sete anos da mulher de Fábio, a residir em Toledo, era obrigado a ver o vídeo em que um piloto capturado pelo auto-denominado Estado Islâmico era queimado vivo por terroristas, o que levou a que a criança ficasse fascinada pelas imagens de violência.  O jovem pedia inclusivamente para poder ver o vídeo de novo, segundo a irmã, Sanae Boughroum que se mostrava também bastante orgulhosa do irmão mais velho, de 13 anos, que tinha uma página do Facebook onde partilhava imagens de propaganda jihadista.

A família – pelo menos os três irmãos -, mostravam vontade de um dia se poderem vir a juntar ao grupo terrorista, tendo a irmã mais velha sido aquela que esteve mais perto. Em Outubro de 2015, a rapariga nascida em Marrocos e Fábio Almeida preparavam-se para casar e depois viajar para a Síria ou para a Líbia, sem bilhete de volta. No entanto, acabaram por ser detidos pela polícia espanhola no apartamento da família da jovem, em Toledo, dias antes de partirem para o Médio Oriente.

Fábio Almeida, ou “Abdurraman Al Portugali”, mostrava-se bastante crítico aos emigrantes portugueses a residir em França. Em conversa com Sanae Boughroum, o açoriano fez um desabafo gravado e usado na Autoridade Nacional: “Têm-me passado coisas pela cabeça que nem imaginas… Portugueses de merda, os kafires [infiéis] merecem morrer todos. Tenho muita raiva contra eles. Odeio os kafir.”